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Mensagens

A mostrar mensagens de Fevereiro, 2012

Procuradores e chamados!

Certas vezes, um encontro muda-nos a vida. É, por exemplo o encontro inesperado, casual, não preparado, não previsto do amor, que pode ser o clássico amor à primeira vista ou coisas do género. Outras vezes é o contacto com um personagem que te fez pensar com a seu testemunho, que não te deixa dormir com aquilo que diz ou com a sua pessoa que ti lê a vida e ti põe diante das tuas responsabilidades que não tinhas nem mesmo sonhado. Conduz a tua vida na normalidade e de repente começam a surgir dentro de ti muitos pensamentos e até pensamentos não banais, sonhos de um mundo melhor, de uma vida gasta e não egoisticamente possuída. E um dia uma pessoa que encontras te ajuda a esclarecer as coisas. Ou então estás triste, escravizado por pequenas ou grandes coisas que criaste com o teu vício. Ficaste demasiado apegado e por demasiado tempo a um hábito indecente, encontras uma pessoa, vês uma liberdade, um olhar límpido e ti ressoa dentro como um forte convite a mudar de vida e a envergonhar-…

Pede à Quaresma que te ensine

Pede à Quaresma que te ensine «E logo o espírito o impeliu para o deserto.  E ele esteve no deserto quarenta dias,  sendo tentado por Satanás» (Marcos 1, 12). 
Pede à Quaresma que te ensine o caminho do deserto.  Para que o teu coração se deixe purificar.  Da tentação de tudo possuir.  Do egoísmo do não-compromisso.  Da ganância do isolamento.  Ou da omnipotência de tudo realizar.  E querer ser deus.  E da ousadia de não saber esperar.  E da certeza de possuir a verdade.
Pede à Quaresma que te mostre o caminho do deserto.  Onde Jesus te dará o pão da Palavra e do silêncio.  No deserto o coração saberá encontrar  o silêncio que regenera e reinventa.  No deserto o silêncio fará do teu coração uma fonte  de onde pode jorrar a verdade de Deus. «Seis dias depois,  Jesus tomou consigo a Pedro, Tiago e João,  e os levou, sozinhos,  para um lugar retirado sobre uma alta montanha.  Ali foi transfigurado diante deles» (Marcos 9, 2). 
Pede à Quaresma que te ensine o caminho da montanha.  Para que ouses subir ao lugar d…

converter e acreditar!

O velho arco de guerra dá lugar ao arco-íris da paz e da esperança! E o deus dos exércitos e da vingança dá lugar ao Deus da nova aliança! Pela primeira vez, e por cinco vezes, a palavra aliança vem à superfície das águas, depois do grande dilúvio, que regenerou a Terra. Noé e a família, juntamente com os animais que ele pusera na arca, foram poupados pelas águas destruidoras! O arco-íris que aparece, pendurado na parede das nuvens, em tempo de bonança, é agora o sinal desta nova aliança: Deus mostra ao mundo que depôs o seu arco. O pecado permanecerá ainda na terra. Mas Deus não permitirá jamais a destruição fatal da sua criação. O seu projeto de amor para a família humana vencerá. Deus tornou-se nosso aliado, passou-se para o nosso lado!Já nenhum pecado poderá levar Deus a destruir o mundo por Ele mesmo criado! A história assim relatada, nas primeiras páginas da Bíblia, pode parecer-nos um conto colorido, para ouvido de criança. Mas é mais do que isso. Diz-nos que, no princípio …

Regressar!

Com o rito da imposição das cinzas os cristão dão início ao tempo da Quaresma. Entrámos num tempo especial para permitir ao Espírito Santo, recebido no nosso Baptismo, converter ao Evangelho os passos da nossa vida. Ao início deste tempo, não está uma nossa iniciativa, mas a indestrutível  vontade que Deus tem em encontrar-nos ainda. As cinzas marcam o início de quarenta dias, um momento favorável para voltar a Deus e a nós mesmos, como diz a voz do profeta Joel: “Mas agora, diz o Senhor, convertei-vos a mim de todo o vosso coração com jejuns, com lágrimas, com gemidos. Rasgai os vossos corações e não as vossas vestes, convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque Ele é clemente e compassivo, paciente e rico em misericórdia”. (Jl 2,12-13)
A conversão, segundo o evangelho, não é um intenso esforço que somos chamados a fazer para apagar as asneiras da nossa vida. Aliás, muitos perfecionamentos da nossa humanidade são até contraproducentes, quando os fazemos para sermos vistos pelos outros…

Toma a tua enxerga e anda!

Caros amigos e amigas, é a presença de Jesus que torna aquele lugar de Cafarnaum numa casa acolhedora, fraterna, rica de intimidade, onde as pessoas se amontoam nos recantos. Ali, S. Marcos revela-nos mais um traço do coração de Cristo: perdoa os pecados à semelhança de Deus. “Um paralítico, transportado por quatro homens” Ele não caminhava mas, quando as costas dos amigos o transportavam, parecia-lhe voar. Os amigos inventam uma estrada que antes não existia, desafiando obstáculos, proibições, regras de etiqueta… E, na força das mãos alheias, o homem paralisado e passivo intui antecipadamente a sua cura. Há um acreditar juntos e um acreditar pelos outros que contagia a fé, levanta sobre a multidão, deposita na casa de Deus os pecados e paralisias humanas. Os escribas, sentados numa esquina, criticam e são incapazes de acolher as surpresas de Deus. Ainda hoje, a paralisia mais perigosa reside naqueles que se vacinam contra a novidade e o milagre, incapazes de reconhecer e promove…

Ver claramente!

As leituras de ontem convergiam em dizer-nos que o nosso caminho, como homens e mulheres crentes, é sobretudo um problema dos olhos. Na imagem do cego conduzido por Jesus e, à parte, curado pela sua compaixão, podemos reconhecer um itinerário do qual temos todos muita necessidade para poder ver melhor a realidade
Naquele tempo, Jesus e os seus discípulos chegaram a Betsaida. Trouxeram-Lhe então um cego, suplicando-Lhe que o tocasse. Jesus tomou o cego pela mão e levou-o para fora da localidade. Depois deitou-lhe saliva nos olhos,impôs-lhe as mãos e perguntou-lhe: «Vês alguma coisa?».”
Estranhamente, o gesto de Jesus não parece resolver definitivamente o problema. O cego consegue uma certa capacidade de ver as coisas, mas de modo desfocado e impreciso. Torna-se necessária uma segunda intervenção de Jesus, quase idêntico à primeira
“Em seguida, Jesus impôs-lhe novamente as mãos sobre os olhos e ele começou a ver bem: ficou restabelecido e via tudo claramente.”
A carta de Tiago ilumina este …

Se queres, podes!

O profeta Isaías proclamava que o Messias viria para anunciar a boa notícia aos pobres. Jesus comentando este texto na Sinagoga de Nazaré, diz solenemente: “cumpriu-se hoje esta palavra da Escritura” (Lc 4,18-19). Mas Jesus veio para curar as doenças dos pobres, muitas vezes de maneira extraordinária ou prodigiosa? Certo, muitas vezes Jesus dá prova da sua misericórdia diante dos sofrimentos humanos. Mas em todo caso, estes são sinais do poder que o Filho do homem recebeu daquele que o mandou para libertar o homem de uma escravidão ainda mais profunda, de uma lepra ainda mais crónica, para libertar do pecado. Quem pode perdoar os pecados senão Deus? “Ora, para saberdes que o Filho do homem tem na terra o poder de perdoar os pecados: levanta-te disse ao paralítico toma o teu leito e vai para a tua casa” (Mt 9,6). O que tem Jesus? O que irradia o mestre para provocar no leproso esta súplica cheia de fé: “Se queres, podes curar-me”? Jesus aproxima-se do leproso: “tocou-lhe”; o lepr…

Cura e serviço!

Jesus passa entre nós e nos cura. Nos regenerou e curou-nos com a graça do Baptismo e nos renova cada dia com a sua misericórdia. Somos salvados, mas o somos para sermos sinal de Cristo junto dos nossos irmãos e irmãs. A sogra de Pedro dá a cada um de nós o exemplo de quem, curada pelo Senhor, escolhe servir. A multidão procura Jesus por causa daquilo que ele diz e por causa dos sinais que opera. É a caridade que chama e a caridade é certamente o sinal mais luminoso e distintivo de toda a comunidade cristã. Mas para ser verdadeiros testemunhas e anunciadores do Cristo ocorre ancorar a própria vida na oração e na contemplação: Jesus se retira para pregar sozinho num lugar deserto e indica a estrada mestra que devemos seguir se quisermos ser seus verdadeiros discípulos.

Luz entre as mãos!

A liturgia da Festa de hoje abre-se com um sugestivo lucernário, um gesto fortemente simbólico que introduz a celebração eucarística. Todos os fiéis são convidados a acolher entre as mãos uma vela, e em procissão entram na igreja protegendo a vela “entre as mãos” (Cf. Lc 2,28) a luz, símbolo por excelência da manifestação de Deus. É um rito simples, mas rico de significado. Exactamente 40 dias depois do Natal, a comunidade dos crentes recorda que a “luz verdadeira” (Jo 1,9) - vinda ao mundo através da carne de Jesus Cristo - não quer ser apenas acolhida mas também restituída, para se tornar clarão “que ilumina cada homem” (Jo 1,9), lugar de salvação para todos. É um gesto que pretende imitar a atitude de Maria, a virgem que soube alargar os braços diante da irrupção de Deus no seu jovem seio, sem nunca considerar esta eleição “um privilégio” (Fil 2,6), mas sim um serviço assumido até ás extremas consequências: “uma espada de dor trespassará a tua alma” (Lc 2,35). O Evangelho ilustra …