sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Acolher o Bem!



Não ser estorvos para o bem
Parecia que João levava uma brilhante “folha de serviço”, guarnecida com esta demonstração de zelo em relação aos “direitos de autor” de Jesus e, diante das palavras do Mestre, fica com o entusiasmo cristalizado na garganta. A resposta de Jesus continua a ser para nós que ousamos definir quem é ou não digno de usar o seu nome como caminho para libertar e para fazer o bem; é para nós que apontamos levianamente um dedo sujo de preconceitos; é para nós que pugnamos por um monopólio sobre o nome e sobre a pessoa de Jesus. É bem real a tentação de instrumentalizar Deus, de usa-l’O e geri-l’O com os nossos cálculos tacanhos, de transformar a nossa fé num sectarismo intolerante, pejado de restrições e manuais de procedimentos. 
Admira-nos este Jesus que diz “quem não é contra nós é por nós”! Ficamos perplexos com este, aparentemente frágil, ligeiro e fácil, critério de ingresso no seu amor! Que libertador é o Mestre do amor que tem sempre um caminho estendido para quem O procure! Para Ele basta uma fenda aberta, por onde possa infiltrar-se a força renovadora do seu Amor porque, essa sim, é a moção mais forte e decisiva para o bem…

Se alguém escandalizar
Jesus demonstra-nos que, no fundo, tudo se resume a uma questão de acolhimento. Estas sentenças atingem um teor de extrema dureza, Ele quer fazer-nos notar como é grave a falta de acolhimento para com o outro, a loucura de querermos domar o Espírito que “sopra onde quer”. 
Este Evangelho desmascara a nossa atitude capitalista sobre o bem, que se baseia naquela mentalidade em que um soma e segue e em que o mais frágil é deixado à mercê da sua fragilidade. Jesus confia à nossa solicitude a fragilidade do outro. E não vamos a lado nenhum se vamos sós. É aqui que reside o segredo da comunhão, é o mistério da comunhão da Trindade, o milagre em que Deus nos faz participantes da Sua Vida e tanto nos valoriza, apesar da nossa miséria.

Cortar o mal pela raiz
O egoísmo é tão subtil perante a nossa natureza, atreita ao pecado! Sem uma disciplinada vigilância, o mal depressa se nos cola ao ser, de modo que parece ficar a fazer parte dos nossos membros, com tal à vontade que os subjuga. Corremos o risco de nem distinguirmos qual é a parte sã e a parte doente da nossa vida. Jesus convida-nos a fazer um diagnóstico muito sério e aponta-nos um critério infalível: uma ocasião de escândalo é sintoma certo de doença! Ele adverte-nos para o perigo que constitui na nossa vida aquele membro que foi tomado pela gangrena do egoísmo: a única solução é mesmo a amputação, a cirurgia radical. E isso mete-nos medo… medo de (nos) perder. Mas o que Jesus enfatiza não é a perda, é a verdadeira Vida! Ele não quer que continuemos a iludir-nos com uma vida preservada, mas podre, inútil, a fluir para o vazio. 
Amigos e amigas, não tenhamos medo de cortar o que é inútil e pernicioso para viver a vida de Deus. Ainda que tenhamos de sangrar, as chagas de Jesus, abertas na cruz, asseguram-nos a transfusão de um amor que nos cura, a Vida nova que nos garante a cicatrização da alegria. Precisamos de fazer uma revisão constante ao nosso coração para que ele deixe passar, sem o contaminar, o salutar caudal do Evangelho.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

NÃO!



Segunda Feira, XXV Domingo do Tempo Comum

As palavras do Evangelho de hoje são menos simples de quanto aparecem. Certo, a imagem de uma lâmpada que não pode ser destinada a iluminar é clara e confortante. A sua simbologia igualmente. O Senhor Jesus - a sua palavra e a sua acção em nós - é como uma luz que, não obstante as dificuldades e os obstáculos, é destinada a brilhar e a ser reconhecida. 

«Ninguém acende uma lâmpada para a cobrir com uma vasilha ou a colocar debaixo da cama, mas coloca-a num candelabro, para que os que entram vejam a luz.» (Lc 8,16).

Então porque são prospetadas situações tanto absurdas, como aquela um lâmpada que acaba debaixo de um vaso, com a certeza de apagar-se? Ou então debaixo da cama, com o risco de incendiar-lo? Quem de nós chegaria a gestos assim desconsiderados? Se o Mestre no lo diz, a resposta é bastante simples: exactamente nós podemos corrermos o risco de operar tais gestos. 

Portanto, tende cuidado com a maneira como ouvis. Pois àquele que tem, dar-se-á; mas àquele que não tem, até o que julga ter lhe será tirado (Lc 8,18).

A exortação é intrigante. Literalmente ressoa assim: “estai atento ao modo como escutai”. Os dois sentidos - a vista e o ouvido - são chamados a cooperar para uma melhor e mais autêntica experiência de obediência ao Deus que fala. Jesus parece dizer que não é suficiente escutar, mas é necessário lançar os olhos dentro dos das nossas orelhas, para ver e analisar qual palavra está escorrendo no nosso coração e, portanto, movendo os passos da nossa vida. Podemos correr o risco de escutar sem viver, por medo de observar as infinitas proibições, que são os indispensáveis mandamentos que nos servem para continuarmos homens e mulheres, irmãos e irmãs. Filhos de Deus.     

Não negues um favor a quem o merece, quando estiver na tua mão fazê-lo.
não digas ao teu próximo (….)
Não maquines o mal (...)
Não discutas sem motivo (...) 
Não tenhas inveja (...)
(Pr 3,27ss).

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

A cruz e as suas consequências!


Os discípulos não compreendiam
O mistério de Deus não parece estar ao alcance da razão dos discípulos. Eles não compreendem como pode um rei ser entregue e morto como um fracassado e um inútil e passam indiferentes à novidade da ressurreição. Hoje, talvez compreendamos a lógica do amor de Deus como um dado adquirido e não como um mistério que nos interroga e transforma. O escândalo e a loucura de Deus, são as bandeiras do seu reinado e nós, discípulos aprendizes, precisamos de aprender a humildade e a entrega como pré-requisitos para nos alistarmos neste exército do reino. A dúvida é a sede de quem procura a verdade. O medo é o reflexo de quem foge ao desafio. Cristo desafia-nos pelo que diz, é e faz. Não tenhamos medo de o interrogar, de nos aproximarmos do seu mistério. 

Que discutíeis no caminho?
Jesus conhece, no silêncio, as preocupações dos discípulos. Está atento às nossas dúvidas, aos nossos porquês e aos nossos sonhos. Tal como os discípulos, enquanto caminhamos com Jesus, perdemos o nosso tempo em discussões vãs, vazias de fundamento. Percorremos quilómetros da vida com disputas sobre pontos de vista estéreis, porque nos desviamos do essencial, que é a presença de Jesus. 
Inventamos formas de subir acima dos outros. Construímos galardões para que possamos destacar-nos do grupo. Obcecamo-nos em argumentos que nos favoreçam, em detrimento dos outros, sob a luz de uma falsa humildade. Escondemo-nos, numa abnegação mentirosa, para que rapidamente descubram as maravilhas que detemos como nossas e que não nos pertencem. Regateamos interesses e projetos, num egoísmo fechado, avesso à comunhão, com medo de perdermos esse jogo… discutimos…

Quem quiser ser o primeiro será o último
Jesus cala os nossos jogos de interesses com o grito sereno da humildade.
Aqueles que escolheram seguir um rei pobre, simples e que se entrega até à morte, não possuem o sonho de ser maiores, mas acolhem a aventura de serem servos.
Quem ama aprende a ser pequeno, a ser o último. Aprende com Jesus a sabedoria do serviço. Na entrega de Jesus até à morte bebemos a ciência do amor que se abandona, que se doa, que se oferece. Na corrida do amor, chega primeiro quem se esqueceu de si, para que outros também chegassem.
Quem verdadeiramente caminha com Jesus descobre o valor do acolhimento incondicional, sem juízos de valor. O abraço é a porta do serviço. Jesus ensina-nos a abraçar o outro, a criança, como modelo de acolhimento ao amor de Deus, pois quem a receber… é a Mim que recebe… e quem Me receber não Me recebe a Mim, mas Àquele que Me enviou. Arrisquemos abraçar, servir, ser o último… arrisquemos viver o Evangelho!

(Não) Corrisponder



Festa de São Mateus, apóstolo e evangelista 

O célebre quadro da vocação de Mateus do grande pintor Caravaggio, conservado na Igreja de São Luís dos franceses em Roma condensa numa imagem - conhecida e cara a todos os cristãos - a experiência de fé que o publicano chamado a virar discípulo de Cristo viveu e depois narrou no Primeiro Evangelho. A figura do Senhor Jesus com o dedo da mão direita apontado sobreposta por um amplo raio raio de luz, parece dizer a Mateus “sentado no banco dos impostos”: “TU!”, “Segue-me” (Mt 9,9). Pedro, da sua parte, espantado e incrédulo, repete o gesto de Jesus quase dizendo: “ELE?”. Não menos espantado por tudo quanto lhe está acontecendo, Mateus, aponta o dedo da mão esquerda para si mesmo, perguntado: “EU?”, enquanto a mão direita continua a contar o dinheiro recolhido.  
Caravaggio consegue dar muito ênfase a um conteúdo teológico que domina a página evangélica de hoje, assim como a inteira narração de Mateus. Reproduzindo o publicano ainda todo imerso no seu trabalho de cobrador de imposto, que o colocava automaticamente na classe dos pecadores públicos. O pintor mostra como a vocação a ser discípulo é uma absoluta iniciativa de Deus em Cristo e não alguma coisa que depende da capacidade ou da integridade moral do homem. Não podemos saber quanto Mateus se sentiria em sintonia com esta intuição artística, que nos séculos acompanhou a piedade e a oração de tantos fiéis. Mais facilmente podemos imaginar como o primeiro evangelista possa ter sentido bem representado pela discrição que o apóstolo Paulo faz de si mesmo: “eu, prisioneiro por causa do Senhor” (Ef 4,1). Ao menos a julgar pela disponibilidade e pela prontidão com que se deixou tocar pelo convite que, improvisamente, anunciou misericórdia (Mt 9,13) à sua vida, restituindo-a uma perdida dignidade: “Segue-me” (Mt 9,9).
A festa de hoje lembra á Igreja como se faz para “corresponder à vocação cristã”, recordando-a quanto é fácil e “religioso” o risco de não corrispondê-la. É suficiente sentir-se “justos” e concentrar-se a viver numa fé centrada nos sacrifícios (Mt 9,13), antes que centrada na misericórdia que impede de ver o home imerso no pecado como um ‘outro’ em relação a si mesmo: “porque o vosso mestre come com os pecadores e publicanos?” (Mt 9,11). 
Embora seja o livro que bre o cânone cristão do Novo Testamento, o Evangelho escrito por Mateus não é o mais antigo. O seu primado, mais que cronológico, deve-se a outras motivações ligadas á história e ao desenvolvimento das primeiras comunidades cristãs. O lugar de honra não é, no entanto, desmerecido, se não por outras razões, ao menos per este versículo que sozinho é capaz de proclamar a absoluta gratuidade da salvação de Deus para todos os homens: “eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores” (Mt 9,13). Esta consciência funda a esperança da Igreja e torna possível a todo os discípulo viver “de maneira digna da chamada” recebida (Ef 4,1) para amadurecer “até ao homem perfeito, até atingir a medida da plenitude de Cristo” (Ef 4, 1). 

terça-feira, 18 de setembro de 2012

PARTICIPAR



Terça Feira  XXIV Semana Tempo Comum


Depois de ter exortado os cristãos a esperarem-se mutuamente, o apostolo prolonga a reflexão e as recomendações em direcção à comunhão fraterna. A uma comunidade ainda incapaz de estabelecer seriamente vínculos de sincera caridade, Paulo propõe a metáfora do corpo, realidade individual mas complementar. 

Irmãos: Assim como o corpo é um só e tem muitos membros e todos os membros do corpo, apesar de numerosos, constituem um só corpo, assim sucede também em Cristo. (1Cor 12,12).

A imersão na vida e no espírito do Ressuscitado constitui os crentes como um corpo, onde não pode habitar nenhum espírito de competição ou de ciúmes, mas onde se aprende a reconhecer na diversidade e na adversidade nos dons e nas funções a generosa mão de Deus 

Vós sois o corpo de Cristo e sois os seus membros, cada um por sua parte. (12,27).

Por isso é inútil, melhor provoca danos, pôr-se em confronto com o outro, considerando-se melhor o seu dom em relação ao nosso. Isto equivale a provar inveja em relação ao próprio Deus, o qual - como dizia São Francisco - diz e dá todos os bens. Pelo contrário, existe um comum carisma ao qual é importante anelar com especial intensidade e desejo. 

Aspirai com ardor aos dons mais elevados.  (12,31).

O carisma maior da caridade - que a liturgia adia para amanhã - aparece evidente nos sentimentos visceral de Jesus no encontro com uma viúva que guia o pranto no cortejo fúnebre do seu filho único.
Ao vê-la, o Senhor compadeceu-Se dela e disse-lhe: «Não chores». (Lc 7,13).

Estas lágrimas são suficientes para o senhor para doar livremente aquilo que não é pedido a ninguém, mas certamente desejado segretamente por todos os corações. A criança se levanta e é restituído à mãe. Intuir, doar, restituir: também para nós este é o único modo de espera o outro e de participar criativamente do seu destino de ressurreição. 

Atualidade

O carinho do Papa Francisco que irrita muitos padres

É uma coisa maravilhosa mas, por exemplo, também João Paulo II foi à cadeia encontrar o seu assassino Ali Agca. Mas desta vez, aposto, ...

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