sábado, 14 de abril de 2012
Ver, tocar, crer!
“Estando fechadas as portas da casa”
A tristeza e o medo de acabar como o Mestre aferrolha os discípulos. A memória da cobardia na noite da traição paralisa-os! No entanto, Jesus vem. Vem porque não se escandaliza nem se impressiona com os nossos medos e feridas. Ele entra apesar da dureza e lentidão do coração, apesar das resistências e obstáculos. O Ressuscitado não se detém diante da inércia lacrimosa ou da incredulidade, mas está atento às dúvidas dos seus amigos e vai à procura da ovelha perdida, no pequeno rebanho dos onze. É ali que se aproxima, estende a mão e oferece os sinais do amor crucificado, porque nesses sinais o amor imprimiu toda a sua história com o alfabeto das feridas.
Onde nós temos medo, Jesus vem para inundar-nos do sopro vital, alagando-nos de paz, fazendo-nos sair rumo ao outro.
“Se não vir o sinal dos cravos, se não meter a mão no seu lado, não acreditarei”
Como são pobres as nossas palavras que não conseguem testemunhar, dizer ou convencer alguém. Os primeiros discípulos vivem a incapacidade em transmitir a fé ao ausente Tomé. Este quer ouvir, ver, tocar Deus. Quer garantias e certezas mais do que teorias. Quer tocar aquela história de amor, aquela escolha de uma vida dada; quer acariciar com as próprias mãos a desmedida da paixão. Tomé não procura sinais gloriosos ou triunfais, mas os sinais vivos e abertos do amor.
Nas mãos de Tomé, ávidas em tocar, estão também as nossas mãos duvidosas, à procura de um sinal, de uma prova. Tomé é a voz e o rosto das nossas dúvidas, da nossa dificuldade em acreditar. Mais do que meter o dedo nas chagas de Cristo, Tomé mete o dedo nas chagas da nossa pobre fé. Esta nasce da presença e do encontro. Enquanto não formos abraçados e envolvidos no jogo de amor e de dor de Deus, não poderemos afirmar: eu creio Senhor!
“Meu Senhor e meu Deus”
Aquele “meu” tão pequeno muda tudo! Não indica um deus desconhecido, um deus da teologia ou dos livros, mas revela o Deus emaranhado e entrançado na vida. Aquele “meu” é experiência do Espírito, que rouba o coração e dilata a existência, tal como “o meu amado é para mim e eu sou para ele” (Cântico dos cânticos). Aquele “meu” é um brado de felicidade que brota do coração!
Para quem acredita a vida nem é mais fácil ou mais difícil, mais cómoda ou segura. Para o crente a vida torna-se mais cheia, apaixonante, ferida e vibrante, ferida e luminosa. Importante não é ter vivido com Cristo antes da sua morte, mas sim viver a vida que nasce da sua ressurreição! E isso, caros amigos, é Evangelho!
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