sexta-feira, 15 de abril de 2011
Domingo de Ramos!
A entrada de Jesús em Jerusalém é posta, em Mateus, sob o signo do cumprimento da Palavra profética (cf. Mt 21,4-5). A citação de Zc 9,9 põe Jesús na esteira do Rei "justo, salvado e humilde" (segundo o texto hebraico) de que fala o texto profético. Mas é significativo que o incipit do trecho de Zacarias, que convidava Jerusalém à alegria (“Exulta de alegria, filha de Sião! Solta gritos de júbilo, flha de Jerusalém!"), seja substiuído em Mateus com uma citação de Is. 62,11: “Dizei à filha de Sião: aí vem o teu Rei, ao teu encontro, manso e montado num jumentinho;” (Mt 21,5). Desta forma a entrada de Jesús na cidade santa tranforma-se uma palavra para Sião, um anúncio que a interpela mas a que a cidade não responde com alegria mas sim com perturbação e desconfiança: "...,toda a cidade ficou em alvoroço. "Quem é este?" - perguntavam." (Mt 21,10). Os eventos da vida e da história, lidos à luz das Escrituras, tornam-se Palavra que pede dicernimento ao crente.
Mateus cita o oráculo de Zacarias mantendo apenas o atributo de mansidão do Rei que entra na cidade santa. A mansidão do "Messias" Jesús (cf. Mt 11,29) consiste na renúncia às prerrogativas reais, ao uso da força e do poder quase ilimitado, para escolher conscientemente a via da humildade, da não-violência, do respeito, do agir pacificamente. Se este Rei é "fraco", é-o graças a uma grande força que presidiu à sua escolha: a escolha de renunciar à força e ao poder.
A direcção precisa que Jesús mantém, com resolução, na sua existência e na sua vocação, é expressa no texto evangélico através do absoluto controle dos eventos, enviando os discípulos dois-a-dois, dando-lhes indicações claras e prevendo o que aconteceria (cf. Mt 21,1-3). Mas Jesús prevê eventos banais, que não parecem ter valor histórico ou espiritual. Parece que Jesús quer que as coisas aconteçam assim, que ele monte um burro manso, que depois restituirá ao dono, para narrar e marcar com o ritmo do mular, o caminho de Deus ao encontro do Homem. A reacção dedesconhecimento e incompreensão da cidade nos confrontos com este Rei que, só pelo seu agir, rebate as características de um rei da época, é significativa de uma possibilidade permanente para o cristão e para a Igreja: senti-Lo como estranho a si próprio, o Cristo revelado pelos Evangelhos, o Cristo pobre, o Cristo manso, o Cristo que não se impõe. Enfim, o Cristo que escolhe como transporte nã um cavalo, mas um burro. Aquele "Quem é este?" da cidade incrédula, deve impor ao cristão e à Igreja uma outra pergunta: "Quem sou eu?"; "Que imagem do Senhor guia a minha prática cristã?". É à luz da mansidão daquele "Messias", da pobreza daquele Rei, da exclusão daquele que veio, que os cristãos e as Igrejas são chamadas a verificar as suas práticas. O paradoxo tem a função de revelação, mas pode tornar-se obstáculo.
Mateus sublinha, mais do que os outros evangelistas, a presença de uma multidão numerosa à entrada de Jesús em Jerusalém: “Uma grande multidão...” (v. 8); “E todos...” (vv. 9.11). Grande quantidade de gente que precede e segue Jesús, participação popular, confissão de fé, invocações litúrgicas, gestos de tributo para com Aquele que entra em Jerusalém. Parecem cenas de um evento coroado de sucesso. Mas no meio de todo este alvoroço a presença silenciosa de Jesús. Impõe-se uma questão: a multidão compreende o que está a acontecer? comprende aquilo que é verdadeiramente importante compreender? compreende Jesús e o seu agir paradoxal? A cena posterior da mesma multidão que pede a Pilatos que solte Barrabás, condenando Jesús (cf. Mt 27,20-24), sugere uma resposta negativa à questão. Desde sempre a fé cristã exigiu qualidade (isto é profundidade, interioridade, seriedade, liberdade, coragem , coerência,...), não quantidade. O problema é o terreno bom, não todo o terreno ou cada terreno, porque "onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estarei no meio deles." (cf. Mt 18,20) e porque "nem todos têm fé." (2Ts 3,2).
Texto: http://www.monasterodibose.it/
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