Quanto amor naquele gesto. E quanta consciência do próprio pecado. Não ousa sequer olhar o seu rosto, bastam os pés do Mestre para dizer-nos quem somos e quem é Deus. Pés que recolheram as poeiras da nossa frágil humanidade, pés sujos da nossa soberba argila, pés pregados pelo nosso pecado à misericórdia de Deus, eternamente. Pés feridos, pés que esperam de ser banhados pelo precioso perfume do nosso arrependimento, do nosso amor que implora perdão. “São perdoados os teus muitos pecados porque muito amaste”, os corações pequenos não entendem. “Se fosse um profeta saberia...”: ele sabe, mais que todos sabe. Mais de Simão sabe a medida do coração de Deus. Mais que ela, a pecadora, sabe quanto é grande o mal que a habita. Mais do que ela sabe quanto perfume de perdão daquele momento em diante banhará a sua vida, e a nossa. Ele sabe, e por isso diz: vai em paz!
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