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Procurar!


“procurar” é o verbo mais humilde e maior de toda a vida e de toda a relação… é, na verdade, muito bonito procurar: porque quem não procura é já um saciado que não sabe ir para além da sua soleira; porque quem procura sente, porém, a necessidade de procurar até quando já encontrou: visto que qualquer coisa, qualquer pessoa e, antes de tudo, Deus têm sempre novos horizontes para desvendar.
Um crente também deve procurar sempre: sim, para verficar a sua fé e alimentar a sua vida de novas profundidades, de novos modos com que Deus se apresenta. De facto uma vida inteira não chega para entendermos uma pessoa. Imaginemos então se basta uma vida para entendermos a presença de Deus! É bonito procurar ainda porque o amor se exprime não só no descobrir continuamente novas profundidades, mas no valorizar inclusive aquele dom que um fez nascer no outro. Porque quem procura é um generoso que descobriu em si tantas energias (físicas, espirituais, culturais, sexuais, e de fé) e quer partilhá-las; e ao mesmo tempo é um pobre mas sapiente, que conhece como os seus limites e as suas pobrezas podem sem superadas com os dons que sabe descobrir nos outros… cada um é aquilo que procura… se procuras a ti mesmo e não te deixes encurralar pela convencionalidade e não te deixes acorrentar pelo conformismo e nem mesmo te deixes levar pelas vazias imitações das estrelas (em Cabo Verde agora parece que tudo é (e)strela) e divas, descobrirás em ti a possibilidade de ser nova criatura em cada momento, em cada idade, não obstante tantas situações de monotonias em que estamos obrigados a viver. Procura, porque quem procura encontra. 

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Aqui escreves TU

Zacarias, o mudo que fala de Deus!

"Entretanto, chegou o dia em que Isabel devia dar à luz e teve um filho. 58 Os seus vizinhos e parentes, sabendo que o Senhor manifestara nela a sua misericórdia, rejubilaram com ela. 59 Ao oitavo dia, foram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome do pai, Zacarias. 60 Mas, tomando a palavra, a mãe disse: “Não; há-de chamar-se João.” 61 Disseram-lhe: “Não há ninguém na tua família que tenha esse nome.” 62 Então, por sinais, perguntaram ao pai como queria que ele se chamasse. Pedindo uma placa, o pai escreveu: “O seu nome é João.” (Lc 1,57-63)

O versículo 62 deste texto bem conhecido apresenta, aparentemente, uma dificuldade de interpretação. Em Lc 1,20 lemos: Vais ficar mudo, sem poder falar, até ao dia em que tudo isto acontecer, por não teres acreditado nas minhas palavras, que se cumprirão na altura própria. A tradução deste versículo pode começar de outro modo: Vais ficar em silêncio e sem capacidade (força) para falar. Não é absolutamente linear que o verbo siwpáw signi…

FRUTOS DA TERRA E DO TRABALHO DO HOMEM

(Depois da minha homilia no passado domingo na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, muitos mostraram-se interessados acerca da simbologia do Pão e do Vinho. Aproveito para partilhar o texto ao qual me inspirei para a minha homilia. O texto é de Enzo Bianchi, prior da comunidade de Bose - Itália)
É significativo que a palavra “Pão” apareça ao início da Bíblia sob o signo do trabalho, da fadiga, do suor: “comerás o pão com o suor da tua testa” (Gen 3, 19). De facto o pão significa antes de tudo comida, aquilo que sustém o homem, aquilo que é absolutamente necessário e que o homem deve procurar com o duro trabalho da terra. Quando à palavra “vinho”, ela aparece pela primeira vez no episódio de Noé, o patriarca supérstite do dilúvio  o qual, plantou uma vinha para se consolar e das uvas fez o vinho e bebendo-o embriagou-se (Gen 9,20-21). Assim o vinho é consolação mas também é capaz de provocar comportamentos indignos de um homem.  Mas, eis que quando a história aparece inequivocamente c…

Aos pés da Cruz!

Muitas pessoas presenciaram curiosos a crucifixão de Cristo no alto do Calvário.  São muitos os que assistiam atónitos ao suplício de um homem inocente. mas, são poucos os que ficaram aos pés da cruz: a mãe de Jesus; a irmã de Maria de Nazaré, Maria de Cleofas e Maria de Magdala, e nos assegura mais a frente o evangelista que perto da mãe estava também o discípulo amado de Jesus. Um pequeno grupo de pessoas. Somente um pequeno grupo de fidelíssimos têm a coragem de não fugir e testemunhar a própria fé Nele. Somente poucos audazes, juntamente com Maria têm a coragem de suportar com Cristo a dor e o sofrimento por uma morte injusta. Hoje, na Solenidade da Virgem das Dores somos chamados a contemplar Jesus no maior gesto de obediência da sua história. Somos chamados a olhar para Cristo e o mistério da nossa salvação, através do olhar da Mãe.  Contemplar este drama na vida da família de Nazaré, o último evento que Maria vive com o Filho, é quase entrar nos sentimentos de uma mãe com um fil…