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As tentações de Jesus e as nossas...



O caminho quaresmal que na passada quarta feira iniciámos e que neste primeiro Domingo é marcado pelas tentações de Jesus nos convida a encontrar o Senhor e com ele superar as nossas muitas provas.
Jesus é apresentado como o novo Adão que, contrariamente ao primeiro, resiste às tentações. Mas ele é também o representante do novo Israel que, contrariamente ao povo de Deus durante a travessia do deserto que durou 40 anos, coloca radicalmente a sua vida nas mãos de Deus - enquanto o povo regularmente rejeitava ser conduzido por Deus.
Em cada uma das três tentativas de sedução, se trata de pôr à prova a confiança em Deus. Diz-se no Deuteronomio (Dt 6,4): “escuta Israel: o Senhor é o nosso Deus, o Senhor é único! Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças”. Isto significa exigir que Deus seja o único amado por Isarael, o único que merece confiança. Isto significa também renunciar ao próprio poder de “tornar-se como Deus” (Gn 3,5).
Por três voltas Satanás tenta Jesus a servir-se do seu poder: da sua capacidade em fazer milagres (v.3), do poder da sua fé que pretenderia obrigar Deus (v.6), da dominação do mundo submetendo-se a Satanás (v.9). Jesus resiste porque Deus está ao centro da sua existência, porque ele vive graças á sua palavra (v.4), porque tem total confiança nele (Deus) e não pretende atentar à sua soberania e liberdade (v.7), porque ele sabe que está excluisivamente ao seu serviço.

Comentários

Aqui escreves TU

Zacarias, o mudo que fala de Deus!

"Entretanto, chegou o dia em que Isabel devia dar à luz e teve um filho. 58 Os seus vizinhos e parentes, sabendo que o Senhor manifestara nela a sua misericórdia, rejubilaram com ela. 59 Ao oitavo dia, foram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome do pai, Zacarias. 60 Mas, tomando a palavra, a mãe disse: “Não; há-de chamar-se João.” 61 Disseram-lhe: “Não há ninguém na tua família que tenha esse nome.” 62 Então, por sinais, perguntaram ao pai como queria que ele se chamasse. Pedindo uma placa, o pai escreveu: “O seu nome é João.” (Lc 1,57-63)

O versículo 62 deste texto bem conhecido apresenta, aparentemente, uma dificuldade de interpretação. Em Lc 1,20 lemos: Vais ficar mudo, sem poder falar, até ao dia em que tudo isto acontecer, por não teres acreditado nas minhas palavras, que se cumprirão na altura própria. A tradução deste versículo pode começar de outro modo: Vais ficar em silêncio e sem capacidade (força) para falar. Não é absolutamente linear que o verbo siwpáw signi…

FRUTOS DA TERRA E DO TRABALHO DO HOMEM

(Depois da minha homilia no passado domingo na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, muitos mostraram-se interessados acerca da simbologia do Pão e do Vinho. Aproveito para partilhar o texto ao qual me inspirei para a minha homilia. O texto é de Enzo Bianchi, prior da comunidade de Bose - Itália)
É significativo que a palavra “Pão” apareça ao início da Bíblia sob o signo do trabalho, da fadiga, do suor: “comerás o pão com o suor da tua testa” (Gen 3, 19). De facto o pão significa antes de tudo comida, aquilo que sustém o homem, aquilo que é absolutamente necessário e que o homem deve procurar com o duro trabalho da terra. Quando à palavra “vinho”, ela aparece pela primeira vez no episódio de Noé, o patriarca supérstite do dilúvio  o qual, plantou uma vinha para se consolar e das uvas fez o vinho e bebendo-o embriagou-se (Gen 9,20-21). Assim o vinho é consolação mas também é capaz de provocar comportamentos indignos de um homem.  Mas, eis que quando a história aparece inequivocamente c…

O carinho do Papa Francisco que irrita muitos padres

É uma coisa maravilhosa mas, por exemplo, também João Paulo II foi à cadeia encontrar o seu assassino Ali Agca. Mas desta vez, aposto, acontecerá que alguém da minha paróquia me perguntará porque razão, a partir do momento que o Papa foi até Calábria, porque eu não vou nem mesmo visitar a senhora Pina que habita numa casa popular, e passou todo o inverno sem aquecimento porque não se fez a reparação no sistema. Sempre em Calábria, na missa da tarde de ontem disse: “a ‘ndrangheta é isto: adoração do mal e desprezo do bem comum”, “os maviosos, não estão em comunhão com Deus, são excomungados” e a minha gente não fará comparação com João Paulo II em Agrigento, mas perguntará a mim porque nas minhas homilias sou assim tão politically corect Sempre ontem, de manhã aos padres como eu dizia que não devemos pôr “ao centro nós mesmos e assim em vez de sermos canais tornamo-nos ecrãs” e estou certo que basta me sentar no confessionário e escutar com superficialidade, alguém, seguramente, me r…