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Dá-nos a fé!

Amo a oração. Sinto a sua necessidade. Sinto uma força extraordinária que me vem da meditação orante da palavra de Deus. Mas rezo mal e distraio-me sempre, como todos. Nem sempre de manhã, antes do sol nascer, consigo levantar-me para com os irmãos elevar um canto de louvor ao Pai da criação e muitas vezes à noite o cansaço prevalece sobre o desejo.
Reconheço que tenho uma sorte grande visto que a Palavra está ao centro da minhs escolha. É dificil rezar. Convercer-se ou melhor converter-se à oração não é fácil. Mas é igualmente difícil ou mesmo impossível fazer parar de rezar àquele que na oração encontro o rosto de Deus. Os santos ensinam-nos isto mesmo. A oração é aquele santuário onde o crente descobre o verdadeiro rosto de Deus. É o lugar onde a nossa alma encontra e unifica a nossa vida fragmentada e desnorteada. Conservar e cultivar uma vida interior nestes tempos que correm tornou-se uma emprese para gigantes.
Jesus veio no mundo e manifestou-nos o verdadeiro rosto de Deus. Jesus voltará. Haverá ainda fé sobre a terra? Ele não diz: “haverá ainda a Igreja católica?”; não diz: “haverá ainda uma vida ética cristã?” “haverá ainda grandes obras sociais?” Coisas importantes. Mas o Senhor pergunta pela fé, não pela eficácia, não pela organização, não pela estrutura. A eficácia, a organização, a estrutura devem concorrer para que a nossa fé seja cada vez mais radicada nele, senão, se são auto-celebrativas tornam-se perigosas.

"Senhor, Deus de paz, que criaste os homens, objecto da tua benevolência, para serem familiares da tua glória, nós te bendizemos e te damos graças; porque nos enviaste Jesus, teu Filho amantíssimo, e fizeste d’Ele, no mistério da sua Páscoa, o artífice de toda a salvação, a nascente de toda a paz, o laço de toda a fraternidade.
Abre ainda mais os nossos espíritos e os nossos corações, às exigências concretas do amor de todos os nossos irmãos para que possamos ser sempre mais de Paz".

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Aqui escreves TU

Zacarias, o mudo que fala de Deus!

"Entretanto, chegou o dia em que Isabel devia dar à luz e teve um filho. 58 Os seus vizinhos e parentes, sabendo que o Senhor manifestara nela a sua misericórdia, rejubilaram com ela. 59 Ao oitavo dia, foram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome do pai, Zacarias. 60 Mas, tomando a palavra, a mãe disse: “Não; há-de chamar-se João.” 61 Disseram-lhe: “Não há ninguém na tua família que tenha esse nome.” 62 Então, por sinais, perguntaram ao pai como queria que ele se chamasse. Pedindo uma placa, o pai escreveu: “O seu nome é João.” (Lc 1,57-63)

O versículo 62 deste texto bem conhecido apresenta, aparentemente, uma dificuldade de interpretação. Em Lc 1,20 lemos: Vais ficar mudo, sem poder falar, até ao dia em que tudo isto acontecer, por não teres acreditado nas minhas palavras, que se cumprirão na altura própria. A tradução deste versículo pode começar de outro modo: Vais ficar em silêncio e sem capacidade (força) para falar. Não é absolutamente linear que o verbo siwpáw signi…

FRUTOS DA TERRA E DO TRABALHO DO HOMEM

(Depois da minha homilia no passado domingo na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, muitos mostraram-se interessados acerca da simbologia do Pão e do Vinho. Aproveito para partilhar o texto ao qual me inspirei para a minha homilia. O texto é de Enzo Bianchi, prior da comunidade de Bose - Itália)
É significativo que a palavra “Pão” apareça ao início da Bíblia sob o signo do trabalho, da fadiga, do suor: “comerás o pão com o suor da tua testa” (Gen 3, 19). De facto o pão significa antes de tudo comida, aquilo que sustém o homem, aquilo que é absolutamente necessário e que o homem deve procurar com o duro trabalho da terra. Quando à palavra “vinho”, ela aparece pela primeira vez no episódio de Noé, o patriarca supérstite do dilúvio  o qual, plantou uma vinha para se consolar e das uvas fez o vinho e bebendo-o embriagou-se (Gen 9,20-21). Assim o vinho é consolação mas também é capaz de provocar comportamentos indignos de um homem.  Mas, eis que quando a história aparece inequivocamente c…

O carinho do Papa Francisco que irrita muitos padres

É uma coisa maravilhosa mas, por exemplo, também João Paulo II foi à cadeia encontrar o seu assassino Ali Agca. Mas desta vez, aposto, acontecerá que alguém da minha paróquia me perguntará porque razão, a partir do momento que o Papa foi até Calábria, porque eu não vou nem mesmo visitar a senhora Pina que habita numa casa popular, e passou todo o inverno sem aquecimento porque não se fez a reparação no sistema. Sempre em Calábria, na missa da tarde de ontem disse: “a ‘ndrangheta é isto: adoração do mal e desprezo do bem comum”, “os maviosos, não estão em comunhão com Deus, são excomungados” e a minha gente não fará comparação com João Paulo II em Agrigento, mas perguntará a mim porque nas minhas homilias sou assim tão politically corect Sempre ontem, de manhã aos padres como eu dizia que não devemos pôr “ao centro nós mesmos e assim em vez de sermos canais tornamo-nos ecrãs” e estou certo que basta me sentar no confessionário e escutar com superficialidade, alguém, seguramente, me r…