Nós Te louvamos, Pai Santo,
pelo SOL ao fim da tarde
reacendendo a tua imagem
na lareira que em nós arde.
Nós Te louvamos pela NEVE
que alimenta os altos montes
e Te cantamos pela CHUVA
que dá de beber às fontes.
Nós Te louvamos pelo VENTO
que Te aplaude nas giestas
e Te adora com as nuvens
e Te grita nas florestas.
Nós Te louvamos pelo FOGO
que tempera e alumia,
cura, aquece e purifica
as noites do nosso dia.
Nós Te louvamos pelos RIOS
que, descendo pela serra,
vão cantando nas quebradas
e regando a nossa terra.
Nós Te louvamos pela BRISA
que abre o espírito da gente
e prepara para a escuta
da Palavra e do Silêncio
Nós Te louvamos pelas FLORES,
variadas do canteiro,
que nos fazem conhecer-Te
Bom e Belo e Verdadeiro.
Nós Te louvamos pelos FRUTOS,
selo doce de ternura com que vais
autenticando tua imagem na criatura.
Nós Te louvamos pelos MARES
abraçando os Continentes,
fecundando e preservando mil
tesouros tão diferentes.
Nós Te louvamos, Pai Santo,
por Ti mesmo e pelo mundo,
pela PAZ e pela VIDA,
pelo teu AMOR fecundo.
(Frei Lopes Morgado)

Na prospectiva bíblica, a abundância dos dons da terra oferecidos pelo Criador funda a possibilidade de uma vida social caracterizada por uma justa distribuição dos bens. É a lógica do maná: “não sobejava a quem tinha muito nem faltava a quem tinha pouco” (Ex 16,18).
Bento XVI falou várias vezes de quantos obstáculos encontram hoje para terem acesso aos recursos ambientais, inclusive aqueles fundamentais como a água, a comida e as fontes de energia. Muitas vezes, de facto, o ambiente é submetido a uma exploração intensa o que provoca situações de degradação, que põe em risco a habitabilidade da terra para a geração presente e pior ainda para a futura. Paz, justiça e preservação da terra crescem apenas unidas e a ameaça de uma delas se reflecte também nas outras: “O livro da natureza é uno e indivisível, tanto sobre a vertente do ambiente como sobre a vertente da vida, da sexualidade, do matrimónio, da família, das relações sociais, numa palavra, do desenvolvimento humano integral” (Caritas in eritate, nº 51). Trata-se de um grande empenho que toca as grandes escolhas políticas e as orientações económicas, mas que comporta também uma dimensão mural: orientar-se para estilos de vida pessoal e comunitário mais sóbrio, evitando o superficial.

Somos, portanto, convidados a olhar com amor à variedade da criação, descobrindo nelas o dom do Criador que nelas manifesta um pouco de si. Esta espiritualidade da criação pode ser alimentada a partir da celebração eucarística, na qual damos graças a Deus por aqueles frutos da terra que na Eucaristia se transformam para nós Pão da vida e bebida da salvação.
(Fr. Gilson Frede)