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A benção nocturna de Jacob

A Bíblia nos conta uma história singular. É a história da benção nocturna que Jacob recebe do homem desconhecido que lutou com ele durante toda a noite. Quando era jovem Jacob tinha conseguido enganando o seu pai Isaac a benção do primogénito, suscitando assim contra si a ira do seu irmão Esaú. Esta benção aparece aqui como algo de muito tangível, algo que não se pode dar duas vezes. Jacob está em vantagem em relação ao seu irmão Esaú. A benção do primogénito consiste no facto que agora Jacob será senhor dos seus irmãos.  
Parece que Jacob tenha conseguido todas as coisas. Volta para casa com grandes riquezas, as suas duas mulheres e muitos filhos. Mas anunciam-lhe que o seu irmão Esaú vem ao seu encontro. Então sente medo. Esaú representa a sombra de Jacob. Ele deverá enfrentar a própria sombra para que a sua vida se torne verdadeiramente uma benção. A Bíblia no lo descreve na luta nocturna com um homem obscuro que se faz reconhecer como o anjo de Deus. Os dois lutam na noite, sem que um dos dois vença. Quando surge a aurora, o anjo roga a Jacob pedindo que o deixe partir. Jacob diz: Não te deixarei ir, a não ser que me abençoes (Gen 32,27). Jacob luta pela benção. Quer tanto ser abençoado por Deus que luta como se fosse uma questão de vida ou de morte. Deus em pessoa abençoa Jacob e lhe dá um novo nome: “teu nome não será mais Jacob, mas sim Israel, porque lutaste com Deus e com homens e vencestes". (Gen 32,29)
É um paradoxo que próprio aquilo que é perigoso para mim e me combate deva abençoar-me. Num primeiro momento a Jacob Deus não aparece por nada como aquele que abençoa, mas sim como aquele que coloca em discussão, que lhe obstacula a estrada. Do ponto de vista psicológico, trata-se de um encontro com a sombra. Antes que Jacob possa reconciliar-se com o irmão Esaú, deve encontrar a sombra dentro de si, a parte que mente, que é falsa, a própria mentira existencial. É exactamente o encontro com a sombra que se transforma para ele em benção. A sua vida adquire uma qualidade nova. Não só consegue reconciliar-se com o irmão mas torna-se um dos patriarcas de Israel.   

Pensamos muitas vezes que a benção de Deus está nas situações em que temos sucessos, em que tudo sai bem. A história de Jacob nos demonstra que experimentamos a benção também onde tocamos o fundo, onde encontramos dolorosamente nós mesmos, a nossa falsidade, a nossa rejeição pela vida, o nosso egoísmo sem confins. Se dizemos sim a nós mesmos como somos, até a parte fraca e falsa de nós pode transformar-se em nascente de benções. Deus não abençoa o que é perfeito, mas aquilo que é imperfeito, não o que é inteiro, mas o que está fragmentado. Através da benção de Deus o ramo cortado volta a florir e a noite de transforma em claro dia. 

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Zacarias, o mudo que fala de Deus!

"Entretanto, chegou o dia em que Isabel devia dar à luz e teve um filho. 58 Os seus vizinhos e parentes, sabendo que o Senhor manifestara nela a sua misericórdia, rejubilaram com ela. 59 Ao oitavo dia, foram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome do pai, Zacarias. 60 Mas, tomando a palavra, a mãe disse: “Não; há-de chamar-se João.” 61 Disseram-lhe: “Não há ninguém na tua família que tenha esse nome.” 62 Então, por sinais, perguntaram ao pai como queria que ele se chamasse. Pedindo uma placa, o pai escreveu: “O seu nome é João.” (Lc 1,57-63)

O versículo 62 deste texto bem conhecido apresenta, aparentemente, uma dificuldade de interpretação. Em Lc 1,20 lemos: Vais ficar mudo, sem poder falar, até ao dia em que tudo isto acontecer, por não teres acreditado nas minhas palavras, que se cumprirão na altura própria. A tradução deste versículo pode começar de outro modo: Vais ficar em silêncio e sem capacidade (força) para falar. Não é absolutamente linear que o verbo siwpáw signi…

FRUTOS DA TERRA E DO TRABALHO DO HOMEM

(Depois da minha homilia no passado domingo na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, muitos mostraram-se interessados acerca da simbologia do Pão e do Vinho. Aproveito para partilhar o texto ao qual me inspirei para a minha homilia. O texto é de Enzo Bianchi, prior da comunidade de Bose - Itália)
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Aos pés da Cruz!

Muitas pessoas presenciaram curiosos a crucifixão de Cristo no alto do Calvário.  São muitos os que assistiam atónitos ao suplício de um homem inocente. mas, são poucos os que ficaram aos pés da cruz: a mãe de Jesus; a irmã de Maria de Nazaré, Maria de Cleofas e Maria de Magdala, e nos assegura mais a frente o evangelista que perto da mãe estava também o discípulo amado de Jesus. Um pequeno grupo de pessoas. Somente um pequeno grupo de fidelíssimos têm a coragem de não fugir e testemunhar a própria fé Nele. Somente poucos audazes, juntamente com Maria têm a coragem de suportar com Cristo a dor e o sofrimento por uma morte injusta. Hoje, na Solenidade da Virgem das Dores somos chamados a contemplar Jesus no maior gesto de obediência da sua história. Somos chamados a olhar para Cristo e o mistério da nossa salvação, através do olhar da Mãe.  Contemplar este drama na vida da família de Nazaré, o último evento que Maria vive com o Filho, é quase entrar nos sentimentos de uma mãe com um fil…