Avançar para o conteúdo principal

A missa é uma Festa!

"A Missa é uma festa muito alegre, a Missa é uma festa que dá luz!" Recordo muito bem deste refrão de uma bonita canção que se cantava na minha Paróquia natal quando ainda era adolescente. Efectivamente para mim e para os meus pares a Missa dominical na nossa Paróquia era uma festa muito participada e muito animada. Depois Domingo era uma ocasião para encontrarmos, num ambiente diferente que não a escola, os amigos e porque não as belas raparigas de quem éramos apaixonados ou enamorados. 
Para mim era o dia em que se realizava também o encontro da JuFra que era sempre um prazer.  Enfim.... a Missa e o Domingo eram uma festa muito alegre e efectivamente eram uma festa que dava luz para toda a semana que se seguia feita de estudos e de relativo stress.
Naturalmente cresci e tornei-me um jovem adulto e responsável da minha fé. A Missa continuou e continua sendo uma festa muito alegre e que me dá luz e me dá à Luz. Hoje, posso juntar a minha voz àquele grupo de cristãos que no ano 304 em Abitinia, actual Tunísia, surpreendidos na celebração eucarística dominical, que estava proibida, foram conduzidos ante o juiz, que lhe perguntou por que, no Domingo, haviam celebrado a função religiosa cristã, sabendo que isso implicava castigo de morte e eles responderam: «Sine dominico non possumus!» Sem o domingo do Senhor, sem o Dia do Senhor não podemos viver. 
Numa sua homilia pronunciada na catedral de Santo Estevão de Viena, Áustria, em 2007 o Papa Bento XVI, explicou que o Domingo não é um “preceito”, mas “uma necessidade interior.” 
«Também nós temos necessidade do contacto com o Ressuscitado, que nos apoia até depois da morte. Temos necessidade deste encontro que nos reúne, que nos dá um espaço de liberdade, que nos permite olhar mais além do activismo da vida quotidiana para contemplar o amor criador de Deus, do qual procedemos e para o qual estamos a caminho». 
Passaram os anos da minha adolescência e da minha primeira juventude e agora que, com gratidão e, fortalecido por este contacto que o Domingo e a Missa nos proporciona, preparo para desta festa ser aquele que preside e que serve devo absolutamente agradecer o Senhor que não cessa de ser aquele dono de casa que convida para o seu banquete todos nós pobres e humildes que não temos como retribuir-lhe a não ser oferecer-lhe as nossas mãos e a nossa vida para continuar a santificar o Pão e o Vinho, fruto da terra, da videira e do nosso labor mas sempre dom absoluto da sua bondade, para que a festa com ele e com os irmãos seja eterna na Paz e no Bem. 

Comentários

Aqui escreves TU

Zacarias, o mudo que fala de Deus!

"Entretanto, chegou o dia em que Isabel devia dar à luz e teve um filho. 58 Os seus vizinhos e parentes, sabendo que o Senhor manifestara nela a sua misericórdia, rejubilaram com ela. 59 Ao oitavo dia, foram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome do pai, Zacarias. 60 Mas, tomando a palavra, a mãe disse: “Não; há-de chamar-se João.” 61 Disseram-lhe: “Não há ninguém na tua família que tenha esse nome.” 62 Então, por sinais, perguntaram ao pai como queria que ele se chamasse. Pedindo uma placa, o pai escreveu: “O seu nome é João.” (Lc 1,57-63)

O versículo 62 deste texto bem conhecido apresenta, aparentemente, uma dificuldade de interpretação. Em Lc 1,20 lemos: Vais ficar mudo, sem poder falar, até ao dia em que tudo isto acontecer, por não teres acreditado nas minhas palavras, que se cumprirão na altura própria. A tradução deste versículo pode começar de outro modo: Vais ficar em silêncio e sem capacidade (força) para falar. Não é absolutamente linear que o verbo siwpáw signi…

FRUTOS DA TERRA E DO TRABALHO DO HOMEM

(Depois da minha homilia no passado domingo na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, muitos mostraram-se interessados acerca da simbologia do Pão e do Vinho. Aproveito para partilhar o texto ao qual me inspirei para a minha homilia. O texto é de Enzo Bianchi, prior da comunidade de Bose - Itália)
É significativo que a palavra “Pão” apareça ao início da Bíblia sob o signo do trabalho, da fadiga, do suor: “comerás o pão com o suor da tua testa” (Gen 3, 19). De facto o pão significa antes de tudo comida, aquilo que sustém o homem, aquilo que é absolutamente necessário e que o homem deve procurar com o duro trabalho da terra. Quando à palavra “vinho”, ela aparece pela primeira vez no episódio de Noé, o patriarca supérstite do dilúvio  o qual, plantou uma vinha para se consolar e das uvas fez o vinho e bebendo-o embriagou-se (Gen 9,20-21). Assim o vinho é consolação mas também é capaz de provocar comportamentos indignos de um homem.  Mas, eis que quando a história aparece inequivocamente c…

O carinho do Papa Francisco que irrita muitos padres

É uma coisa maravilhosa mas, por exemplo, também João Paulo II foi à cadeia encontrar o seu assassino Ali Agca. Mas desta vez, aposto, acontecerá que alguém da minha paróquia me perguntará porque razão, a partir do momento que o Papa foi até Calábria, porque eu não vou nem mesmo visitar a senhora Pina que habita numa casa popular, e passou todo o inverno sem aquecimento porque não se fez a reparação no sistema. Sempre em Calábria, na missa da tarde de ontem disse: “a ‘ndrangheta é isto: adoração do mal e desprezo do bem comum”, “os maviosos, não estão em comunhão com Deus, são excomungados” e a minha gente não fará comparação com João Paulo II em Agrigento, mas perguntará a mim porque nas minhas homilias sou assim tão politically corect Sempre ontem, de manhã aos padres como eu dizia que não devemos pôr “ao centro nós mesmos e assim em vez de sermos canais tornamo-nos ecrãs” e estou certo que basta me sentar no confessionário e escutar com superficialidade, alguém, seguramente, me r…