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A festa do Espírito!




Artista dos interiores
O Espírito Santo é o ilustre esquecido da nossa vida de fé, o eterno desconhecido e ausente na nossa relação com Deus. E, no entanto, Ele está presente, mesmo se discreto. Nunca dá nas vistas, porque prefere o espaço da interioridade, onde se fazem as confidências, onde se cria a comunhão, onde se sonha o futuro e se contempla silenciosamente o essencial. Nunca compra protagonismos nem reclama vaidades. Talvez seja essa a sua identidade: ser sempre para o outro.
Na Bíblia é chamado de Consolador (para arrancar qualquer solidão), Vivificador (para mostrar o rosto de Deus e recordar a sua palavra), Paráclito (para defender do medo) e reveste-se de formas diversas: vento, fogo, pomba… Ele é o Amor em cada amor, a alma em cada vida, o ar de cada respiração.

Misterioso respiro de Deus
É através de um sopro que Jesus transmite aos apóstolos o fôlego que animou a sua vida, a paixão e energia que o vivificou. Para Deus basta um vento, uma brisa, um sopro vital. E nós bem sabemos o quanto a nossa vida é frágil e suspensa de um simples respiro. Pessoa e respiração são inseparáveis, coexistem juntos. Respirar a “atmosfera” de Deus é viver, sonhar, amar Aquele que se respira! O Espírito Santo é a respiração de Deus.
Já nas origens Deus insuflara no barro o seu respiro e o homem tornou-se um ser vivo. Desde então o Espírito preside a tudo o que nasce, é aquele que dá vida, é a fonte da vida (Credo). Esta é a tarefa miraculosa e maravilhosa do Espírito: fazer nascer a vida, mesmo onde aparentemente ela acabou. O Espírito é capaz de tornar possível o impossível.

Perigo de incêndio
O Espírito é perigoso, devastante e inquietante. Quando pensamos que tudo acabou, que o melhor é fechar-se, que não há saídas, o Espírito escancara as portas do coração, indica caminhos de encontro e de comunhão, enche de ar renovado a vida. Aos apóstolos amedrontados, o Espírito do Ressuscitado faz descobrir uma vida nova; de enclausurados passam à aventura de enviados.
É por vezes difícil sair do nosso cenáculo. E o Espírito vem, humilde e decidido, mais forte do que o nosso desânimo, como vento que enche as velas da nossa vida, que dispersa as cinzas da morte e que difunde por toda a parte os pólenes da primavera da ressurreição.
No relato do Evangelho não se faz referência à presença de Maria. Junto dos apóstolos, acredito que Ela sorria serenamente, como se já conhecesse o rosto e o modo de agir do Espírito. No seu interior já tinha experimentado a sua presença e tinha visto dissipar-se, no silêncio, todas as perplexidades. Ela bem sabia que a semente colocada por Deus no coração dos apóstolos trazia dentro de si a força para desabrochar, florir e dar vida… para ser colheita do Evangelho!
Ouça aqui a música "brisa do Espírito"

Comentários

Aqui escreves TU

Zacarias, o mudo que fala de Deus!

"Entretanto, chegou o dia em que Isabel devia dar à luz e teve um filho. 58 Os seus vizinhos e parentes, sabendo que o Senhor manifestara nela a sua misericórdia, rejubilaram com ela. 59 Ao oitavo dia, foram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome do pai, Zacarias. 60 Mas, tomando a palavra, a mãe disse: “Não; há-de chamar-se João.” 61 Disseram-lhe: “Não há ninguém na tua família que tenha esse nome.” 62 Então, por sinais, perguntaram ao pai como queria que ele se chamasse. Pedindo uma placa, o pai escreveu: “O seu nome é João.” (Lc 1,57-63)

O versículo 62 deste texto bem conhecido apresenta, aparentemente, uma dificuldade de interpretação. Em Lc 1,20 lemos: Vais ficar mudo, sem poder falar, até ao dia em que tudo isto acontecer, por não teres acreditado nas minhas palavras, que se cumprirão na altura própria. A tradução deste versículo pode começar de outro modo: Vais ficar em silêncio e sem capacidade (força) para falar. Não é absolutamente linear que o verbo siwpáw signi…

FRUTOS DA TERRA E DO TRABALHO DO HOMEM

(Depois da minha homilia no passado domingo na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, muitos mostraram-se interessados acerca da simbologia do Pão e do Vinho. Aproveito para partilhar o texto ao qual me inspirei para a minha homilia. O texto é de Enzo Bianchi, prior da comunidade de Bose - Itália)
É significativo que a palavra “Pão” apareça ao início da Bíblia sob o signo do trabalho, da fadiga, do suor: “comerás o pão com o suor da tua testa” (Gen 3, 19). De facto o pão significa antes de tudo comida, aquilo que sustém o homem, aquilo que é absolutamente necessário e que o homem deve procurar com o duro trabalho da terra. Quando à palavra “vinho”, ela aparece pela primeira vez no episódio de Noé, o patriarca supérstite do dilúvio  o qual, plantou uma vinha para se consolar e das uvas fez o vinho e bebendo-o embriagou-se (Gen 9,20-21). Assim o vinho é consolação mas também é capaz de provocar comportamentos indignos de um homem.  Mas, eis que quando a história aparece inequivocamente c…

O carinho do Papa Francisco que irrita muitos padres

É uma coisa maravilhosa mas, por exemplo, também João Paulo II foi à cadeia encontrar o seu assassino Ali Agca. Mas desta vez, aposto, acontecerá que alguém da minha paróquia me perguntará porque razão, a partir do momento que o Papa foi até Calábria, porque eu não vou nem mesmo visitar a senhora Pina que habita numa casa popular, e passou todo o inverno sem aquecimento porque não se fez a reparação no sistema. Sempre em Calábria, na missa da tarde de ontem disse: “a ‘ndrangheta é isto: adoração do mal e desprezo do bem comum”, “os maviosos, não estão em comunhão com Deus, são excomungados” e a minha gente não fará comparação com João Paulo II em Agrigento, mas perguntará a mim porque nas minhas homilias sou assim tão politically corect Sempre ontem, de manhã aos padres como eu dizia que não devemos pôr “ao centro nós mesmos e assim em vez de sermos canais tornamo-nos ecrãs” e estou certo que basta me sentar no confessionário e escutar com superficialidade, alguém, seguramente, me r…