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Para que sejam um!


Hoje, sexta feira, dia 18 de Janeiro iniciamos a assim chamada Semana de Oração pela unidade dos cristãos que se prolonga até o dia 25, festa da conversão de São Paulo. Este ano o tema de reflexão e oração inspira-se no capítulo 6, versículos 6 a 8 do livro do profeta Miqueias: “O que Deus espera de nós” e foi proposto pelo Movimento de Estudantes Cristãos da Índia. Caros ouvintes, Jesus Cristo sendo um com o Pai e o Espírito Santo deixou também uma só Igreja seu corpo místico. Ora esta unidade original que o próprio Jesus quis e pediu ao Pai que no-lo concedesse foi, por causa dos nossos pecados e falta de fé destruída. Assim, hoje, os cristãos se apresentam ao mundo divididos, fragmentados fazendo sim que o seu testemunho perdesse credibilidade, fiabilidade. 
Se Cristo é um só, como é possível estarmos divididos e pior ainda de costas voltados, cada um puxando brasa para a própria sardinha. 
A divisão na Igreja, internamente e externamente, é um grande mal. Um grande pecado! Por isso é preciso fazermos hoje como fizeram os amigos do paralítico de que nos fala o Evangelho de hoje. Isto é, é preciso reforçar a nossa fé, esperança e caridade, e carregarmos sobre os nossos próprios ombros a própria Igreja pecadora para a levarmos outra vez, fintando todos os obstáculos, diante do seu Senhor que tem o poder exclusivo de perdoar os pecados. Como aliás fez o grande Santo, Francisco de Assis. 
Ora, o perdão dos pecados anda sempre ligado à Boa Nova do Reino de Deus. Aliás o perdão dos pecados é a primeira libertação de que o homem precisa para poder sair do seu círculo fechado em que o Mal o envolve e o angustia. O primeiro efeito do anúncio da Boa Nova será levar o homem, à luz da Palavra de Deus, a reconhecer-se pecador, a reconhecer o amor de Deus e a decidir-se livremente a pedir-Lhe perdão.
O Ecumenismo, isto é este esforço de unidade entre os cristãos, não é uma opção facultativa entre tantas outras actividades. É, isto sim, uma exigência do Evangelho, uma exigência radical, absoluta que vem de Deus que quer reunir todos os seus filhos dispersos. Esta exigência é hoje, mais do que nunca, uma prioridade porque nunca como este nosso tempo o apelo à unidade ressoa no coração dos filhos de Deus “guiados pelo Espírito” (Rm 8,14), com a mesma força com que ressoa o insistente convite do profeta: “convertei-vos”. Sim, o Ecumenismo, caríssimos, é um apelo. Não se trata simplesmente de encontros fraternos para os quais é necessário dar graças a Deus. Não se trata nem mesmo de actividades comuns em vista a um objectivo social entre irmãos que sabem estar divididos no essencial. Não se trata também de um debate de ideias, necessário, sobre certas divergências de interpretação. Trata-se de acolher na humildade um apelo do Espírito de Verdade. 
Infelizmente em Cabo Verde, como nos outros anos, esta ocorrência passará praticamente despercebida ou se limitará a breves referências durante as celebrações eucarísticas. O complexo de maioria nos impede de olhar para longe e de… ao menos rezarmos. 
Então mãos às obras! E como são Francisco de Assis onde houver divisão levemos a união e o amor!

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Aqui escreves TU

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O versículo 62 deste texto bem conhecido apresenta, aparentemente, uma dificuldade de interpretação. Em Lc 1,20 lemos: Vais ficar mudo, sem poder falar, até ao dia em que tudo isto acontecer, por não teres acreditado nas minhas palavras, que se cumprirão na altura própria. A tradução deste versículo pode começar de outro modo: Vais ficar em silêncio e sem capacidade (força) para falar. Não é absolutamente linear que o verbo siwpáw signi…

FRUTOS DA TERRA E DO TRABALHO DO HOMEM

(Depois da minha homilia no passado domingo na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, muitos mostraram-se interessados acerca da simbologia do Pão e do Vinho. Aproveito para partilhar o texto ao qual me inspirei para a minha homilia. O texto é de Enzo Bianchi, prior da comunidade de Bose - Itália)
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O carinho do Papa Francisco que irrita muitos padres

É uma coisa maravilhosa mas, por exemplo, também João Paulo II foi à cadeia encontrar o seu assassino Ali Agca. Mas desta vez, aposto, acontecerá que alguém da minha paróquia me perguntará porque razão, a partir do momento que o Papa foi até Calábria, porque eu não vou nem mesmo visitar a senhora Pina que habita numa casa popular, e passou todo o inverno sem aquecimento porque não se fez a reparação no sistema. Sempre em Calábria, na missa da tarde de ontem disse: “a ‘ndrangheta é isto: adoração do mal e desprezo do bem comum”, “os maviosos, não estão em comunhão com Deus, são excomungados” e a minha gente não fará comparação com João Paulo II em Agrigento, mas perguntará a mim porque nas minhas homilias sou assim tão politically corect Sempre ontem, de manhã aos padres como eu dizia que não devemos pôr “ao centro nós mesmos e assim em vez de sermos canais tornamo-nos ecrãs” e estou certo que basta me sentar no confessionário e escutar com superficialidade, alguém, seguramente, me r…