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Caminhar na vida!

É bonito caminhar na vida, é bonito ter diante dos olhos uma estrada para percorrer com segurança; caminho que decidiste percorrer; depois de não poucos temores ti se fez claro na
consciência onde queres chegar e decidiste caminhar; é bonito não estar parado a esperar que os eventos chovam do céu, mas é ainda mais belo saber que sobre esta estrada existe alguém que te precede e que tu continuamente vês diante de ti e ti dá força, te estimula e não parar, continua a chamar- te, exorta-te a continuar. Vais atrás convencido que aquela é a tua estrada. O próprio Jesus afirma: “quem quiser seguir- me...”. O cristão é aquele que vai atrás de Jesus, que o segue, que se põe no sulco dos seus passos, na estrada aberta por ele, na direcção que ele tem com decisão. O cristão responde à sua chamada: “vem e segue-me!”. Este verbo o repete muitas vezes a quem o encontra pela estrada, segue-me, seguí-me, não deixa ninguém a si mesmo. Seguir Jesus é também deixá-lo decidir a meta, é confiar no seu projecto, é inscrever nos nossos pensamentos, nas nossas expectativas a sua visão do mundo, a sua relação íntimo com o Pai, a vocação trinitária que o mandou sobre esta terra. Nós devemos decentrar-nos de nós mesmos, do nosso critério de verdade e de bem, do nosso próprio orgulho que muitas vezes nos
contra põe Deus e posicionarmos com confiança atrás dele. Renegar si mesmo para seguí-lo, não é amarrar a beleza da consciência, da inteligência, do amor que ele nos deu, mas deslocar-nos do centro em que continuamente nos colocamos, para colocar ele, a sua vida, o seu evangelho, o seu projecto de salvação, a paixão para os homens, o seu amor incondicional ao Pai. Assim descobrimos que a estrada é em subida, porque ocorre percorré-la com a própria cruz, que antes de ser um suplício é o lugar do máximo amor que Jesus tem por nós e que nós queremos ter para com ele. Não existe para o cristão outro modo de se realizar: sair do centro, dar a própria vida, não reter nada para si, não pensar em ganhar o mundo, mas orientar todo o seu ser a Deus. Passar pelas estradas deste mundo que muitas se perdem no nada, estando atrás de Jesus, porque ele ama as nossas estradas, mas sabe orientá-las para o céu que não está nunca vazio. 

Comentários

Aqui escreves TU

Zacarias, o mudo que fala de Deus!

"Entretanto, chegou o dia em que Isabel devia dar à luz e teve um filho. 58 Os seus vizinhos e parentes, sabendo que o Senhor manifestara nela a sua misericórdia, rejubilaram com ela. 59 Ao oitavo dia, foram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome do pai, Zacarias. 60 Mas, tomando a palavra, a mãe disse: “Não; há-de chamar-se João.” 61 Disseram-lhe: “Não há ninguém na tua família que tenha esse nome.” 62 Então, por sinais, perguntaram ao pai como queria que ele se chamasse. Pedindo uma placa, o pai escreveu: “O seu nome é João.” (Lc 1,57-63)

O versículo 62 deste texto bem conhecido apresenta, aparentemente, uma dificuldade de interpretação. Em Lc 1,20 lemos: Vais ficar mudo, sem poder falar, até ao dia em que tudo isto acontecer, por não teres acreditado nas minhas palavras, que se cumprirão na altura própria. A tradução deste versículo pode começar de outro modo: Vais ficar em silêncio e sem capacidade (força) para falar. Não é absolutamente linear que o verbo siwpáw signi…

FRUTOS DA TERRA E DO TRABALHO DO HOMEM

(Depois da minha homilia no passado domingo na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, muitos mostraram-se interessados acerca da simbologia do Pão e do Vinho. Aproveito para partilhar o texto ao qual me inspirei para a minha homilia. O texto é de Enzo Bianchi, prior da comunidade de Bose - Itália)
É significativo que a palavra “Pão” apareça ao início da Bíblia sob o signo do trabalho, da fadiga, do suor: “comerás o pão com o suor da tua testa” (Gen 3, 19). De facto o pão significa antes de tudo comida, aquilo que sustém o homem, aquilo que é absolutamente necessário e que o homem deve procurar com o duro trabalho da terra. Quando à palavra “vinho”, ela aparece pela primeira vez no episódio de Noé, o patriarca supérstite do dilúvio  o qual, plantou uma vinha para se consolar e das uvas fez o vinho e bebendo-o embriagou-se (Gen 9,20-21). Assim o vinho é consolação mas também é capaz de provocar comportamentos indignos de um homem.  Mas, eis que quando a história aparece inequivocamente c…

Aos pés da Cruz!

Muitas pessoas presenciaram curiosos a crucifixão de Cristo no alto do Calvário.  São muitos os que assistiam atónitos ao suplício de um homem inocente. mas, são poucos os que ficaram aos pés da cruz: a mãe de Jesus; a irmã de Maria de Nazaré, Maria de Cleofas e Maria de Magdala, e nos assegura mais a frente o evangelista que perto da mãe estava também o discípulo amado de Jesus. Um pequeno grupo de pessoas. Somente um pequeno grupo de fidelíssimos têm a coragem de não fugir e testemunhar a própria fé Nele. Somente poucos audazes, juntamente com Maria têm a coragem de suportar com Cristo a dor e o sofrimento por uma morte injusta. Hoje, na Solenidade da Virgem das Dores somos chamados a contemplar Jesus no maior gesto de obediência da sua história. Somos chamados a olhar para Cristo e o mistério da nossa salvação, através do olhar da Mãe.  Contemplar este drama na vida da família de Nazaré, o último evento que Maria vive com o Filho, é quase entrar nos sentimentos de uma mãe com um fil…