Avançar para o conteúdo principal

Uma multidão imensa!


Hoje fazemos memória da estupenda companhia dos santos, irmãos e irmãs que viveram bem os seus dias neste mundo e entraram já no mistério da vida eterna e na comunhão com Deus. Devemos recuperar um olhar mais sério e sereno em relação a estas figuras, porque muitas vezes delas temos uma opinião um pouco idealizada. Em vez de tê-los como preciosos companheiros de viagem na aventura da vida, os vemos como personagens extraordinários e impossíveis de serem imitados, bastante longe da mediocridade dos nossos dias. Como sempre, convém baixar o olhar sobre as Escrituras para descobrir o que a Palavra de Deus diz deles.  

Tantos

No Livro do Apocalipse recebemos já uma surpreendente notícia: os santos são tantos, tantíssimos! Não é verdade que as pessoas boas e justas são poucas no mundo, o vidente de Patmos afirma que os santos são “uma multidão imensa, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas” (Ap 7,9). Certo, nós somos sempre mais inclinados a colocar em primeiro plano os maus e os injustos segundo o costume impregnado nos meis da comunicação social. Porque é na nossa natureza exorcizar aquilo que nos mete medo e nos aterroriza exibindo-o. Com esta operação iludimos que estamos a tolerar a nossa condição, observando como alguém, no fundo, esteja muito pior que nós. Para Deus, porém, aquilo que brilha e merece der destacado é o bem e a grande assembleia de pessoas que fizeram ou fazem o bem. 

Nós
Todavia “aquilo que seremos não foi ainda revelado” (1Jo 3, 2), porque continuamos pessoas livres e em caminho para a eternidade. Portanto esta nossa condição de santidade é uma pequena semente que devemos defender e fazer crescer, confiada à nossa responsabilidade e à nossa livre escolha. Deus nos dá tudo mas não pode obrigar-nos a tornamo-nos filhos amados. Eis então o Evangelho das bem-aventuranças (Mt 5,1-12), a retirar-nos do triste engano de uma cultura que continua a afirmar que para tocar o céu com um dedo-para ser feliz- é necessário ocupar um prestigioso papel social, conquistar gratificações e reconhecimentos através dos instrumentos   do possesso e do poder. 
As bem-aventuranças proclamam, no entanto, que estrada para a vida plena  não está fora, mas dentro de nós. Nos asseguram que não é verdade que somos todos destinados à felicidade. É verdade exactamente o contrário: Deus nosso Pai, desde sempre, destinou-nos a felicidade. A chave da alegria autêntica não está em cima dos nossos desejos frustrados, mas no fundo da nossa consciência daquilo que somos. As bem-aventuranças são o convite a acolher aquilo que cada um deve ser com gratidão, rejeitando a ilusão qua a vida possa mudar pela intervenção de algo externo e estranho a nós mesmos. 


Comentários

Aqui escreves TU

Zacarias, o mudo que fala de Deus!

"Entretanto, chegou o dia em que Isabel devia dar à luz e teve um filho. 58 Os seus vizinhos e parentes, sabendo que o Senhor manifestara nela a sua misericórdia, rejubilaram com ela. 59 Ao oitavo dia, foram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome do pai, Zacarias. 60 Mas, tomando a palavra, a mãe disse: “Não; há-de chamar-se João.” 61 Disseram-lhe: “Não há ninguém na tua família que tenha esse nome.” 62 Então, por sinais, perguntaram ao pai como queria que ele se chamasse. Pedindo uma placa, o pai escreveu: “O seu nome é João.” (Lc 1,57-63)

O versículo 62 deste texto bem conhecido apresenta, aparentemente, uma dificuldade de interpretação. Em Lc 1,20 lemos: Vais ficar mudo, sem poder falar, até ao dia em que tudo isto acontecer, por não teres acreditado nas minhas palavras, que se cumprirão na altura própria. A tradução deste versículo pode começar de outro modo: Vais ficar em silêncio e sem capacidade (força) para falar. Não é absolutamente linear que o verbo siwpáw signi…

FRUTOS DA TERRA E DO TRABALHO DO HOMEM

(Depois da minha homilia no passado domingo na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, muitos mostraram-se interessados acerca da simbologia do Pão e do Vinho. Aproveito para partilhar o texto ao qual me inspirei para a minha homilia. O texto é de Enzo Bianchi, prior da comunidade de Bose - Itália)
É significativo que a palavra “Pão” apareça ao início da Bíblia sob o signo do trabalho, da fadiga, do suor: “comerás o pão com o suor da tua testa” (Gen 3, 19). De facto o pão significa antes de tudo comida, aquilo que sustém o homem, aquilo que é absolutamente necessário e que o homem deve procurar com o duro trabalho da terra. Quando à palavra “vinho”, ela aparece pela primeira vez no episódio de Noé, o patriarca supérstite do dilúvio  o qual, plantou uma vinha para se consolar e das uvas fez o vinho e bebendo-o embriagou-se (Gen 9,20-21). Assim o vinho é consolação mas também é capaz de provocar comportamentos indignos de um homem.  Mas, eis que quando a história aparece inequivocamente c…

O carinho do Papa Francisco que irrita muitos padres

É uma coisa maravilhosa mas, por exemplo, também João Paulo II foi à cadeia encontrar o seu assassino Ali Agca. Mas desta vez, aposto, acontecerá que alguém da minha paróquia me perguntará porque razão, a partir do momento que o Papa foi até Calábria, porque eu não vou nem mesmo visitar a senhora Pina que habita numa casa popular, e passou todo o inverno sem aquecimento porque não se fez a reparação no sistema. Sempre em Calábria, na missa da tarde de ontem disse: “a ‘ndrangheta é isto: adoração do mal e desprezo do bem comum”, “os maviosos, não estão em comunhão com Deus, são excomungados” e a minha gente não fará comparação com João Paulo II em Agrigento, mas perguntará a mim porque nas minhas homilias sou assim tão politically corect Sempre ontem, de manhã aos padres como eu dizia que não devemos pôr “ao centro nós mesmos e assim em vez de sermos canais tornamo-nos ecrãs” e estou certo que basta me sentar no confessionário e escutar com superficialidade, alguém, seguramente, me r…