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Cristo Rei!




Tu és o Rei dos judeus?
Os caminhos de Deus, nem sempre são os caminhos do Homem. Celebramos a festa de Cristo Rei, com uma passagem da Paixão do Senhor. Pode, na eminência da morte, celebrar-se a realeza de alguém? No diálogo com Pilatos, o Senhor revela-se, ajuda-nos a tocar o Seu mistério e a acolher a verdade da Sua missão.
Jesus não quis ser rei. Não quis, nem quer mandar, apenas propor. Não quis, nem quer dominar, apenas servir. Não quis, nem quer subjugar, apenas ajudar a levantar. A realeza de Deus questiona os nossos modelos de poder. Ele não deseja ser um chefe político. Cristo quer apenas reinar no nosso coração, não como ditador, mas como amigo, irmão, companheiro de viagem.
Jesus é um Rei que lava os pés aos seus discípulos, que percorre as ruas para tocar os pobres e beijar os doentes. Jesus é a imagem do poder de Deus que escuta, ampara, consola e se dá…

O meu reino não é deste mundo
Pilatos quer saber o que Jesus fez para chegar a esta situação. Um rei, não pode ser entregue à morte, não pode permitir a mentira, a injúria, a dor...Também nós fazemos perguntas a Jesus, interrogamos a Sua forma de atuar. É aqui, na sede, na procura da verdade, que Jesus faz uma catequese sobre a Sua forma de reinar.
O reino de Jesus é diferente dos reinos deste mundo, está marcado pela verdade. Este reino não se identifica com os poderes triunfalistas que conhecemos, mas com os valores mais profundos do Evangelho.
A moeda deste reino é a gratuidade, a bandeira é o amor, o hino é o Evangelho e o exército é formado pelos humildes. As armas dão lugar aos braços para acolher, os muros transformam-se em pontes para unir. A diferença é estímulo para a comunhão e a linguagem comum é a força do Espírito.
Vale a pena pertencer a este reino, ser pedra viva de um templo sempre em construção.

Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz
Sim, Jesus é Rei, para isso nasceu e veio ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Propondo um reino diferente, Cristo Rei do Universo, é a verdade, a transparência do amor. Não uma verdade como ausência da mentira, mas a encarnação da essência de Deus amor. 
Só os que estiverem abertos à verdade poderão acolher esta proposta de pertencer a um reinado diferente dos do mundo. Só os que estiverem abertos à verdade poderão escutar em profundidade a catequese criativa do amor que deseja construir em cada coração um altar. Só os que estiverem abertos à verdade, poderão entender a mensagem do Senhor que é Rei. Só estes farão parte do reino.
Não nos é indiferente este reino, num mundo cheio de propostas ditatoriais, mesmo que discretas. Ansiamos a fraternidade, pois compreendemos que as escadas do poder só separam e subjugam. Precisamos acreditar neste Rei manso e humilde de coração e crer que nasce já em nós esta semente do Reino.
A feliz esperança num Reino de amor, não pode ficar guardada nas gavetas da nossa vida pessoal como uma verdade passiva que não nos transforma. Urge sair para a rua, ser soldado do reino em que acreditamos e gritar a novidade do Espírito em cada gesto. Precisamos de mapa, de um guia, de uma norma para fazer parte deste reino? Procura o Evangelho e descobrirás a verdade!

Comentários

Aqui escreves TU

Zacarias, o mudo que fala de Deus!

"Entretanto, chegou o dia em que Isabel devia dar à luz e teve um filho. 58 Os seus vizinhos e parentes, sabendo que o Senhor manifestara nela a sua misericórdia, rejubilaram com ela. 59 Ao oitavo dia, foram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome do pai, Zacarias. 60 Mas, tomando a palavra, a mãe disse: “Não; há-de chamar-se João.” 61 Disseram-lhe: “Não há ninguém na tua família que tenha esse nome.” 62 Então, por sinais, perguntaram ao pai como queria que ele se chamasse. Pedindo uma placa, o pai escreveu: “O seu nome é João.” (Lc 1,57-63)

O versículo 62 deste texto bem conhecido apresenta, aparentemente, uma dificuldade de interpretação. Em Lc 1,20 lemos: Vais ficar mudo, sem poder falar, até ao dia em que tudo isto acontecer, por não teres acreditado nas minhas palavras, que se cumprirão na altura própria. A tradução deste versículo pode começar de outro modo: Vais ficar em silêncio e sem capacidade (força) para falar. Não é absolutamente linear que o verbo siwpáw signi…

FRUTOS DA TERRA E DO TRABALHO DO HOMEM

(Depois da minha homilia no passado domingo na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, muitos mostraram-se interessados acerca da simbologia do Pão e do Vinho. Aproveito para partilhar o texto ao qual me inspirei para a minha homilia. O texto é de Enzo Bianchi, prior da comunidade de Bose - Itália)
É significativo que a palavra “Pão” apareça ao início da Bíblia sob o signo do trabalho, da fadiga, do suor: “comerás o pão com o suor da tua testa” (Gen 3, 19). De facto o pão significa antes de tudo comida, aquilo que sustém o homem, aquilo que é absolutamente necessário e que o homem deve procurar com o duro trabalho da terra. Quando à palavra “vinho”, ela aparece pela primeira vez no episódio de Noé, o patriarca supérstite do dilúvio  o qual, plantou uma vinha para se consolar e das uvas fez o vinho e bebendo-o embriagou-se (Gen 9,20-21). Assim o vinho é consolação mas também é capaz de provocar comportamentos indignos de um homem.  Mas, eis que quando a história aparece inequivocamente c…

O carinho do Papa Francisco que irrita muitos padres

É uma coisa maravilhosa mas, por exemplo, também João Paulo II foi à cadeia encontrar o seu assassino Ali Agca. Mas desta vez, aposto, acontecerá que alguém da minha paróquia me perguntará porque razão, a partir do momento que o Papa foi até Calábria, porque eu não vou nem mesmo visitar a senhora Pina que habita numa casa popular, e passou todo o inverno sem aquecimento porque não se fez a reparação no sistema. Sempre em Calábria, na missa da tarde de ontem disse: “a ‘ndrangheta é isto: adoração do mal e desprezo do bem comum”, “os maviosos, não estão em comunhão com Deus, são excomungados” e a minha gente não fará comparação com João Paulo II em Agrigento, mas perguntará a mim porque nas minhas homilias sou assim tão politically corect Sempre ontem, de manhã aos padres como eu dizia que não devemos pôr “ao centro nós mesmos e assim em vez de sermos canais tornamo-nos ecrãs” e estou certo que basta me sentar no confessionário e escutar com superficialidade, alguém, seguramente, me r…