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Mensagens

A mostrar mensagens de Outubro, 2012

Longa e estreita!

Quarta Freira - XXX Semana tempo comum
Não, não se trata de uma túnica muito na moda no tempo de Jesus. Nem de um tipo de prato gostoso típico da Palestina. O título escolhido é a discrição conjunta que as Escrituras de hoje fazem daquela vida intensa daquela vida intensa e feliz que o Senhor indica ao homem. Ilustrando o sentido do quarto mandamento (honra o teu pai e a tua mãe), S. Paulo fez o elogio da obediência como a melhor garantias para um futuro próspero.
“É o primeiro mandamento acompanhado de uma promessa: «para que sejas feliz e tenhas vida longa sobre a terra»”. (Ef 6,2-3)
A mesma recomendação é também dirigida aos pais, que devem obedecer aos filhos tornando-se sábios educadores. Portanto, aos patrões e aos escravos, que podem até prestar um mútuo serviço, “como quem serve o Senhor e não aos homens” (Ef 6,7). O motivo deste convite à obediência feito sem nenhuma discriminação de papéis e circunstâncias nasce da consciência que Deus in primis quis ser obediente à nossa human…

Fé que salva!

…pedir esmola à beira do caminho O texto começa por descrever a situação do pobre cego, imerso na passividade. Está parado, dependente e insuficiente. Está à beira do caminho, e ali podia continuar, assistindo ao rumor da multidão que passa, não lhe interessando quaisquer sons, senão o das moedas a tilintar na escudela. Podemos reconhecer-nos neste cego, parado e pedinte, porque sabendo nós bem como é preciosa a visão, não é tão óbvio atinar que tenhamos falta dela. Podemos até conviver bem com a cegueira, ancorados à noite, ou à fixidez dos nossos critérios, vivendo a vida que nos sobra dos outros, dependentes do que o movimento dos outros nos dita, abrigados sob a capa de tantas escravidões. A visão traz-nos desafios; levantar-nos e atirar com a capa, exige coragem! Jesus caminha, o cego está à beira do caminho. É cego, mas um sentido ele tem: “ouviu”. “Ouviu dizer”, talvez também tenha ouvido caminhar. E àquele homem, que ouve e lê o som dos passos de Jesus, deixam de bastar as esmol…

Deixar e receber!

Porque me chamas bom? A pergunta de Jesus soa-nos estranha. Então Ele não é bom?! Provavelmente aquele jovem busca Jesus como se fosse mais uma peça para adicionar à sua coleção de “valores”. Jesus desengana-lhe a perspetiva, deixando a Deus a exclusividade do adjetivo bom. Se não há Deus, não há bom, porque é Deus que dá o valor e a bondade ao bem… mesmo ao cumprimento dos mandamentos! Jesus desconcerta as nossas noções de bondade, epidérmicas, relativas e viciadas. Ele mostra-nos que a bondade se situa num patamar que nos obriga a uma “peregrinação”, ao mesmo tempo gozosa e dolorosa. Jesus, assim buscado pelo jovem, não fica bem entre o mofo das suas coleções, como soma do seu património. Jesus não pode ser buscado como mais um, Ele é a peça que completa, a única que falta e a que dá valor a tudo o mais.
Faltava-lhe uma só coisa Uma coisa? Mais nada?! Faltar uma só coisa é fácil, pensará este jovem, certamente bem intencionado, que já conseguiu tantas “coisas”! E depois depara-se com a…

Dignidade da fé!

Vivemos tempos fascinantes, mesmo se de alguns anos pra cá a crise económica fustiga fortemente a humanidade, seja a escala nacional, seja a escala internacional. O progresso tecnológico contínua a abrir possibilidades sempre novas e nunca suspeitadas. Alguns valores morais são afirmados e defendidos melhor hoje que ontem, mesmo se nem sempre são respeitados. É o caso, por exemplo dos direitos humanos  e das conquistas sociais.  O nosso contexto cultural tornou-se muito eclético: correntes de pensamento de todo o tipo coexistem com alguma dificuldade mas também com evidente sucesso. Os cristãos contribuíram ao progresso social, científico e cultural da humanidade, mas pode-se perguntar-lhes: “porque sois cristãos?” Ou “o que significa para vós e para os outros ‘ser cristãos’ numa sociedade onde todos somos diferentes extrações culturais, e sociais?” já não vivemos num ambiente cultural homogéneo e, mais ainda, somos cristãos na diáspora, espalhados no meio aos nossos contemporâneos que…

Amor inteligente!

Dureza do vosso coração Jesus, mestre supremo, acolhe as dúvidas e preocupações dos fariseus como ponto de partida para uma catequese sobre o respeito e a comunhão. O projeto original de Deus convida à fidelidade e à igualdade de direitos. Confrontado com a questão do repúdio das mulheres, inscrita na lei, não pela sua essência mas pela dureza do coração dos homens, Jesus propõe a aliança como caminho e meta. Deus quer uma vida mais digna e segura para as esposas mal tratadas pelo homem que se foi baseando na lei da superioridade masculina. Hoje, seguidores de Jesus Mestre, não podemos legitimar nada que promova a discriminação ou exclusão da mulher. Jesus continua a propor-nos que renunciemos à “dureza do nosso coração”, impermeável à bondade e ao diálogo.
Não separe o homem o que Deus uniu Falar de fidelidade, de compromisso, parece já não ser tema. Também no tempo de Jesus surge a necessidade de recordar a importância da união matrimonial. Se acreditamos que Deus nos ama e em tudo con…

Arauto do Grande Rei

Nasceu em Assis, na Úmbria, Itália, entre 1181 a 1182; deram-lhe o nome de João no baptismo, mas uma circunstância casual - o facto de o pai se encontrar na França quando ele veio à luz - determinou que fosse sempre designado com o nome de Francisco, que quer dizer o Francês. Não nasceu santo, pois até aos 25 anos viveu como um de tantos outros jovens: alegre, divertido e amigo de festas. Para defender a sua terra contra Perúsia, tomou as armas aos 20 anos e foi aprisionado. Em 1202 alistou-se outra vez, desta vez nas hostes do papa Inocêncio III. Mas um sonho inesperado desviou-o do caminho da batalha. Ouviu que o chamavam pelo nome, lhe davam uma palmada no ombro e o levavam a formoso palácio, em que habitava uma belíssima noiva. Tudo isto devia referir-se a ele e aos que o seguissem. Alentado com o sonho, saiu para a Apúlia, e em Espoleto ouviu estoutra voz: «Francisco, a quem é melhor servir, ao amo ou ao criado?» Ele respondeu que ao amo. «Porque, então, transformas o amo em criad…

Francisco, entre MUROS que caem e PESSOAS vivas

Semana Franciscana
Quando se ouve falar da vocação de São Francisco de Assis é comum ouvir contar o seu encontro com Jesus na igrejinha de São Damião. Á pergunta: “que queres que eu faça?”, Cristo teria falado, pedindo-lhe para reparar a sua casa em ruínas. É também bastante conhecido a dúplice compreensão de tal pedido: primeiro Francisco o teria interpretado materialmente, iniciando imediatamente a reconstruir aquela e outras igrejinhas em redor de Assis. Só num segundo momento teria entendido que era a esposa de Cristo, a comunidade dos crentes, a Igreja com “i” maiúscula a que devia reparar. Pessoalmente acho que este modo de apresentar Francisco e a sua chamada seja insuficiente porque muito espiritualista por, ao menos, dois motivos: antes de tudo, a demasiada facilidade com que se fala de Deus, risca de esvaziar a experiência do homem e da experiência vital que possui. As experiências que São Francisco viveu antes da sua conversão - a sua participação na guerra, a sua tentativa …