Avançar para o conteúdo principal

A cruz e as suas consequências!


Os discípulos não compreendiam
O mistério de Deus não parece estar ao alcance da razão dos discípulos. Eles não compreendem como pode um rei ser entregue e morto como um fracassado e um inútil e passam indiferentes à novidade da ressurreição. Hoje, talvez compreendamos a lógica do amor de Deus como um dado adquirido e não como um mistério que nos interroga e transforma. O escândalo e a loucura de Deus, são as bandeiras do seu reinado e nós, discípulos aprendizes, precisamos de aprender a humildade e a entrega como pré-requisitos para nos alistarmos neste exército do reino. A dúvida é a sede de quem procura a verdade. O medo é o reflexo de quem foge ao desafio. Cristo desafia-nos pelo que diz, é e faz. Não tenhamos medo de o interrogar, de nos aproximarmos do seu mistério. 

Que discutíeis no caminho?
Jesus conhece, no silêncio, as preocupações dos discípulos. Está atento às nossas dúvidas, aos nossos porquês e aos nossos sonhos. Tal como os discípulos, enquanto caminhamos com Jesus, perdemos o nosso tempo em discussões vãs, vazias de fundamento. Percorremos quilómetros da vida com disputas sobre pontos de vista estéreis, porque nos desviamos do essencial, que é a presença de Jesus. 
Inventamos formas de subir acima dos outros. Construímos galardões para que possamos destacar-nos do grupo. Obcecamo-nos em argumentos que nos favoreçam, em detrimento dos outros, sob a luz de uma falsa humildade. Escondemo-nos, numa abnegação mentirosa, para que rapidamente descubram as maravilhas que detemos como nossas e que não nos pertencem. Regateamos interesses e projetos, num egoísmo fechado, avesso à comunhão, com medo de perdermos esse jogo… discutimos…

Quem quiser ser o primeiro será o último
Jesus cala os nossos jogos de interesses com o grito sereno da humildade.
Aqueles que escolheram seguir um rei pobre, simples e que se entrega até à morte, não possuem o sonho de ser maiores, mas acolhem a aventura de serem servos.
Quem ama aprende a ser pequeno, a ser o último. Aprende com Jesus a sabedoria do serviço. Na entrega de Jesus até à morte bebemos a ciência do amor que se abandona, que se doa, que se oferece. Na corrida do amor, chega primeiro quem se esqueceu de si, para que outros também chegassem.
Quem verdadeiramente caminha com Jesus descobre o valor do acolhimento incondicional, sem juízos de valor. O abraço é a porta do serviço. Jesus ensina-nos a abraçar o outro, a criança, como modelo de acolhimento ao amor de Deus, pois quem a receber… é a Mim que recebe… e quem Me receber não Me recebe a Mim, mas Àquele que Me enviou. Arrisquemos abraçar, servir, ser o último… arrisquemos viver o Evangelho!

Comentários

Aqui escreves TU

Zacarias, o mudo que fala de Deus!

"Entretanto, chegou o dia em que Isabel devia dar à luz e teve um filho. 58 Os seus vizinhos e parentes, sabendo que o Senhor manifestara nela a sua misericórdia, rejubilaram com ela. 59 Ao oitavo dia, foram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome do pai, Zacarias. 60 Mas, tomando a palavra, a mãe disse: “Não; há-de chamar-se João.” 61 Disseram-lhe: “Não há ninguém na tua família que tenha esse nome.” 62 Então, por sinais, perguntaram ao pai como queria que ele se chamasse. Pedindo uma placa, o pai escreveu: “O seu nome é João.” (Lc 1,57-63)

O versículo 62 deste texto bem conhecido apresenta, aparentemente, uma dificuldade de interpretação. Em Lc 1,20 lemos: Vais ficar mudo, sem poder falar, até ao dia em que tudo isto acontecer, por não teres acreditado nas minhas palavras, que se cumprirão na altura própria. A tradução deste versículo pode começar de outro modo: Vais ficar em silêncio e sem capacidade (força) para falar. Não é absolutamente linear que o verbo siwpáw signi…

FRUTOS DA TERRA E DO TRABALHO DO HOMEM

(Depois da minha homilia no passado domingo na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, muitos mostraram-se interessados acerca da simbologia do Pão e do Vinho. Aproveito para partilhar o texto ao qual me inspirei para a minha homilia. O texto é de Enzo Bianchi, prior da comunidade de Bose - Itália)
É significativo que a palavra “Pão” apareça ao início da Bíblia sob o signo do trabalho, da fadiga, do suor: “comerás o pão com o suor da tua testa” (Gen 3, 19). De facto o pão significa antes de tudo comida, aquilo que sustém o homem, aquilo que é absolutamente necessário e que o homem deve procurar com o duro trabalho da terra. Quando à palavra “vinho”, ela aparece pela primeira vez no episódio de Noé, o patriarca supérstite do dilúvio  o qual, plantou uma vinha para se consolar e das uvas fez o vinho e bebendo-o embriagou-se (Gen 9,20-21). Assim o vinho é consolação mas também é capaz de provocar comportamentos indignos de um homem.  Mas, eis que quando a história aparece inequivocamente c…

O carinho do Papa Francisco que irrita muitos padres

É uma coisa maravilhosa mas, por exemplo, também João Paulo II foi à cadeia encontrar o seu assassino Ali Agca. Mas desta vez, aposto, acontecerá que alguém da minha paróquia me perguntará porque razão, a partir do momento que o Papa foi até Calábria, porque eu não vou nem mesmo visitar a senhora Pina que habita numa casa popular, e passou todo o inverno sem aquecimento porque não se fez a reparação no sistema. Sempre em Calábria, na missa da tarde de ontem disse: “a ‘ndrangheta é isto: adoração do mal e desprezo do bem comum”, “os maviosos, não estão em comunhão com Deus, são excomungados” e a minha gente não fará comparação com João Paulo II em Agrigento, mas perguntará a mim porque nas minhas homilias sou assim tão politically corect Sempre ontem, de manhã aos padres como eu dizia que não devemos pôr “ao centro nós mesmos e assim em vez de sermos canais tornamo-nos ecrãs” e estou certo que basta me sentar no confessionário e escutar com superficialidade, alguém, seguramente, me r…