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Ser Padre?


Ser Padre!? Quais os motivos fazem sensata e bela, hoje como ontem (talvez hoje mais do que ontem) a aventura de ser padre? O que pode atrair ao sacerdócio os filhos da “pós- modernidade”, tempo de solidão e de muita fragmentação, tempo privado de aganchos fortes e atraversada de inquietudes porfundas? Por mais paradoxal que possa aparecer, penso que o que ainda hoje torna atraente a vida do padre é simplesmente o seu colocar-se como uma misteriosa actualização do mistério da incarnação. O padre, totalmente de Cristo e como Ele totalmente para os outros e para Deus é um sinal eloquente para o nosso hoje! Antes de tudo o é porque, diante de uma cultura na qual o proveito e o interesse são apresentados como valores fortes, aos quais todas as outras escolhas da vida são finalizadas, o facto que existam pessoas dispostas a viverem uma existência para os outros, motivadas pura e simplesmente pela gratuidade, parece ao nosso tempo chocante e intrigante. Ser padre hoje não é certo uma “saída” para a vida de nenhum jovem. É um risco, uma aposta corajosa, que subverte a lógica da busca frenética do maior proveito e põe em primeiro lugar a beleza do dar-se. A força do padre está na sua fraqueza: é o não ter interesses partidários, o seu existir para os outros sem ter que contentar os gostos de ninguém a torná-lo credível. O padre é credível porque escolheu contra-corrente na medida em que quis e soube ser livre, inclusive dos próprios cálculos e do próprio proveito. Numa sociedade cada vez mais dominada pelo medo do outro, uma existência doada, jogada “somente” por um amor exigente e total, parece uma possibilidade de renascimento, um sinal de contradição subversivo e libertador, como o foi a do Filho eterno que veio na nossa carne por amor. Somente por amor. Ser padre? Porque não? Frei Gilson Frede, padre capuchinho

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Zacarias, o mudo que fala de Deus!

"Entretanto, chegou o dia em que Isabel devia dar à luz e teve um filho. 58 Os seus vizinhos e parentes, sabendo que o Senhor manifestara nela a sua misericórdia, rejubilaram com ela. 59 Ao oitavo dia, foram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome do pai, Zacarias. 60 Mas, tomando a palavra, a mãe disse: “Não; há-de chamar-se João.” 61 Disseram-lhe: “Não há ninguém na tua família que tenha esse nome.” 62 Então, por sinais, perguntaram ao pai como queria que ele se chamasse. Pedindo uma placa, o pai escreveu: “O seu nome é João.” (Lc 1,57-63)

O versículo 62 deste texto bem conhecido apresenta, aparentemente, uma dificuldade de interpretação. Em Lc 1,20 lemos: Vais ficar mudo, sem poder falar, até ao dia em que tudo isto acontecer, por não teres acreditado nas minhas palavras, que se cumprirão na altura própria. A tradução deste versículo pode começar de outro modo: Vais ficar em silêncio e sem capacidade (força) para falar. Não é absolutamente linear que o verbo siwpáw signi…

FRUTOS DA TERRA E DO TRABALHO DO HOMEM

(Depois da minha homilia no passado domingo na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, muitos mostraram-se interessados acerca da simbologia do Pão e do Vinho. Aproveito para partilhar o texto ao qual me inspirei para a minha homilia. O texto é de Enzo Bianchi, prior da comunidade de Bose - Itália)
É significativo que a palavra “Pão” apareça ao início da Bíblia sob o signo do trabalho, da fadiga, do suor: “comerás o pão com o suor da tua testa” (Gen 3, 19). De facto o pão significa antes de tudo comida, aquilo que sustém o homem, aquilo que é absolutamente necessário e que o homem deve procurar com o duro trabalho da terra. Quando à palavra “vinho”, ela aparece pela primeira vez no episódio de Noé, o patriarca supérstite do dilúvio  o qual, plantou uma vinha para se consolar e das uvas fez o vinho e bebendo-o embriagou-se (Gen 9,20-21). Assim o vinho é consolação mas também é capaz de provocar comportamentos indignos de um homem.  Mas, eis que quando a história aparece inequivocamente c…

O carinho do Papa Francisco que irrita muitos padres

É uma coisa maravilhosa mas, por exemplo, também João Paulo II foi à cadeia encontrar o seu assassino Ali Agca. Mas desta vez, aposto, acontecerá que alguém da minha paróquia me perguntará porque razão, a partir do momento que o Papa foi até Calábria, porque eu não vou nem mesmo visitar a senhora Pina que habita numa casa popular, e passou todo o inverno sem aquecimento porque não se fez a reparação no sistema. Sempre em Calábria, na missa da tarde de ontem disse: “a ‘ndrangheta é isto: adoração do mal e desprezo do bem comum”, “os maviosos, não estão em comunhão com Deus, são excomungados” e a minha gente não fará comparação com João Paulo II em Agrigento, mas perguntará a mim porque nas minhas homilias sou assim tão politically corect Sempre ontem, de manhã aos padres como eu dizia que não devemos pôr “ao centro nós mesmos e assim em vez de sermos canais tornamo-nos ecrãs” e estou certo que basta me sentar no confessionário e escutar com superficialidade, alguém, seguramente, me r…