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São João Baptista

João Baptista é a única santidade humana - com excepção da bem aventura Virgem Maria- cujo calendário litúrgico recorda não só o momento da morte, mas também o dies natalis neste mundo. Se a figura extraordinária daquele que soube “dar testemunho da luz e preparar ao Senhor um povo bem dispostos” (cf. Oração Colecta) seria já motivo suficiente para explicar a singularidade de tal recorrência, as leituras escolhidas para esta solenidade permitem-nos ir mais a fundo, indicando-nos o nascimento do Baptista como uma “maravilha estupenda” (cf. Salmo responsorial) para a qual toda a Igreja pode voltar a sua atenção e o seu coração. A narração evangélica de Lucas, diz-nos que no dia da circuncisão todos os parentes e os amigos presentes queriam chamar o menino com o nome do pai, Zacarias. A este ponto a mãe, através da voz e o pai através da escrita impõe-lhe um outro nome que ninguém esperava: “João é o seu nome”. A diferença de significado entre os dois nomes não parece ser relevante: Zacarias significa “Deus recorda”, enquanto João significa “Deus usa misericórdia”. Mas entre estes dois nomes existe uma subtil, fundamental diferença. O primeiro é uma seta que indica para o passado, à história da salvação construída por Deus ao longo da história: as suas intervenções, os seus prodígios, a sua fidelidade. Sugere o critério em que o passado deve orientar o presente. O segundo nome, focaliza a atenção sobre o presente e sobre aquilo que o Senhor, hoje, tem intenção de operar. Promove o critério em que a actualidade da história é também livre dos seus condicionamentos.

Comentários

Aqui escreves TU

Zacarias, o mudo que fala de Deus!

"Entretanto, chegou o dia em que Isabel devia dar à luz e teve um filho. 58 Os seus vizinhos e parentes, sabendo que o Senhor manifestara nela a sua misericórdia, rejubilaram com ela. 59 Ao oitavo dia, foram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome do pai, Zacarias. 60 Mas, tomando a palavra, a mãe disse: “Não; há-de chamar-se João.” 61 Disseram-lhe: “Não há ninguém na tua família que tenha esse nome.” 62 Então, por sinais, perguntaram ao pai como queria que ele se chamasse. Pedindo uma placa, o pai escreveu: “O seu nome é João.” (Lc 1,57-63)

O versículo 62 deste texto bem conhecido apresenta, aparentemente, uma dificuldade de interpretação. Em Lc 1,20 lemos: Vais ficar mudo, sem poder falar, até ao dia em que tudo isto acontecer, por não teres acreditado nas minhas palavras, que se cumprirão na altura própria. A tradução deste versículo pode começar de outro modo: Vais ficar em silêncio e sem capacidade (força) para falar. Não é absolutamente linear que o verbo siwpáw signi…

FRUTOS DA TERRA E DO TRABALHO DO HOMEM

(Depois da minha homilia no passado domingo na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, muitos mostraram-se interessados acerca da simbologia do Pão e do Vinho. Aproveito para partilhar o texto ao qual me inspirei para a minha homilia. O texto é de Enzo Bianchi, prior da comunidade de Bose - Itália)
É significativo que a palavra “Pão” apareça ao início da Bíblia sob o signo do trabalho, da fadiga, do suor: “comerás o pão com o suor da tua testa” (Gen 3, 19). De facto o pão significa antes de tudo comida, aquilo que sustém o homem, aquilo que é absolutamente necessário e que o homem deve procurar com o duro trabalho da terra. Quando à palavra “vinho”, ela aparece pela primeira vez no episódio de Noé, o patriarca supérstite do dilúvio  o qual, plantou uma vinha para se consolar e das uvas fez o vinho e bebendo-o embriagou-se (Gen 9,20-21). Assim o vinho é consolação mas também é capaz de provocar comportamentos indignos de um homem.  Mas, eis que quando a história aparece inequivocamente c…

Aos pés da Cruz!

Muitas pessoas presenciaram curiosos a crucifixão de Cristo no alto do Calvário.  São muitos os que assistiam atónitos ao suplício de um homem inocente. mas, são poucos os que ficaram aos pés da cruz: a mãe de Jesus; a irmã de Maria de Nazaré, Maria de Cleofas e Maria de Magdala, e nos assegura mais a frente o evangelista que perto da mãe estava também o discípulo amado de Jesus. Um pequeno grupo de pessoas. Somente um pequeno grupo de fidelíssimos têm a coragem de não fugir e testemunhar a própria fé Nele. Somente poucos audazes, juntamente com Maria têm a coragem de suportar com Cristo a dor e o sofrimento por uma morte injusta. Hoje, na Solenidade da Virgem das Dores somos chamados a contemplar Jesus no maior gesto de obediência da sua história. Somos chamados a olhar para Cristo e o mistério da nossa salvação, através do olhar da Mãe.  Contemplar este drama na vida da família de Nazaré, o último evento que Maria vive com o Filho, é quase entrar nos sentimentos de uma mãe com um fil…