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Excêntricos!


As imagens escolhidas por Jesus para anunciar aos discípulos o sentido do seu existir não evidenciam somente as belas qualidades que Deus coloca na aventura humana. Dizem também quanto esta nossa beleza não seja - por sorte - um dom recebido para nós mesmo, mas exactamente o contrário: uma chamada a sairmos de nós mesmos, a vivermos uma pró-existência. “vós sois o sal da terra… vós sois a luz do mundo...” (Mt 5,13.14).
Existe alguma coisa de “excêntrico” nestas definições com que o Senhor Jesus nos restitui à nossa genuína natureza. O sal não tem outra função senão aquela de dar sabor à comida sobre a qual é espalhada, renunciando impor-se ao olhar dos outros. Se perde este carácter gratuito e desinteressado não serve para nada. A luz, da sua parte, não brilha senão para oferecer aos outros a liberdade de poder viver e caminhar na casa e no mundo. Com estas imagens o mestre põe um genitivo na nossa natureza. Anuncia-nos que não existimos para nós mesmos, mas que existe sempre uma direcção para a qual a nossa vida é chamada a encaminhar-se. É a sabedoria que a  viúva de Sarépta parece ter amadurecido nos seus dias, visível quando o profeta Elias a pede de poder servir-se do seu pouco manjar, suficiente apenas para ela e para o seu filho e para um dia somente.  
Esta mulher soube responder com generosidade ao apelo do profeta, porque livre do medo de perder-se e de morrer. Talvez, exactamente a experiência de ter já perdido quanto de mais caro se possa desejar na vida já tinha arrebatado do seu coração o terror de ficar com as mãos vazias. Próprio esta experiência lha fez compreender que a vida é dom, não possesso ou conquista. Por isso pôde tornar-se sal, e ser luz. 

Comentários

Aqui escreves TU

Zacarias, o mudo que fala de Deus!

"Entretanto, chegou o dia em que Isabel devia dar à luz e teve um filho. 58 Os seus vizinhos e parentes, sabendo que o Senhor manifestara nela a sua misericórdia, rejubilaram com ela. 59 Ao oitavo dia, foram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome do pai, Zacarias. 60 Mas, tomando a palavra, a mãe disse: “Não; há-de chamar-se João.” 61 Disseram-lhe: “Não há ninguém na tua família que tenha esse nome.” 62 Então, por sinais, perguntaram ao pai como queria que ele se chamasse. Pedindo uma placa, o pai escreveu: “O seu nome é João.” (Lc 1,57-63)

O versículo 62 deste texto bem conhecido apresenta, aparentemente, uma dificuldade de interpretação. Em Lc 1,20 lemos: Vais ficar mudo, sem poder falar, até ao dia em que tudo isto acontecer, por não teres acreditado nas minhas palavras, que se cumprirão na altura própria. A tradução deste versículo pode começar de outro modo: Vais ficar em silêncio e sem capacidade (força) para falar. Não é absolutamente linear que o verbo siwpáw signi…

FRUTOS DA TERRA E DO TRABALHO DO HOMEM

(Depois da minha homilia no passado domingo na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, muitos mostraram-se interessados acerca da simbologia do Pão e do Vinho. Aproveito para partilhar o texto ao qual me inspirei para a minha homilia. O texto é de Enzo Bianchi, prior da comunidade de Bose - Itália)
É significativo que a palavra “Pão” apareça ao início da Bíblia sob o signo do trabalho, da fadiga, do suor: “comerás o pão com o suor da tua testa” (Gen 3, 19). De facto o pão significa antes de tudo comida, aquilo que sustém o homem, aquilo que é absolutamente necessário e que o homem deve procurar com o duro trabalho da terra. Quando à palavra “vinho”, ela aparece pela primeira vez no episódio de Noé, o patriarca supérstite do dilúvio  o qual, plantou uma vinha para se consolar e das uvas fez o vinho e bebendo-o embriagou-se (Gen 9,20-21). Assim o vinho é consolação mas também é capaz de provocar comportamentos indignos de um homem.  Mas, eis que quando a história aparece inequivocamente c…

O carinho do Papa Francisco que irrita muitos padres

É uma coisa maravilhosa mas, por exemplo, também João Paulo II foi à cadeia encontrar o seu assassino Ali Agca. Mas desta vez, aposto, acontecerá que alguém da minha paróquia me perguntará porque razão, a partir do momento que o Papa foi até Calábria, porque eu não vou nem mesmo visitar a senhora Pina que habita numa casa popular, e passou todo o inverno sem aquecimento porque não se fez a reparação no sistema. Sempre em Calábria, na missa da tarde de ontem disse: “a ‘ndrangheta é isto: adoração do mal e desprezo do bem comum”, “os maviosos, não estão em comunhão com Deus, são excomungados” e a minha gente não fará comparação com João Paulo II em Agrigento, mas perguntará a mim porque nas minhas homilias sou assim tão politically corect Sempre ontem, de manhã aos padres como eu dizia que não devemos pôr “ao centro nós mesmos e assim em vez de sermos canais tornamo-nos ecrãs” e estou certo que basta me sentar no confessionário e escutar com superficialidade, alguém, seguramente, me r…