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Pegar ou largar!


O abandono das redes, da própria profissão: este é o primeiro abandono que Jesus pediu. Não é, porém um abandono “uma vez para sempre”: é um abandono contínuo que acontece cada dia porque não precisa só abandonar as redes mas também os  carismas e tantas coisas que possam servir-se de impedimento. Daqui nasce a escala das prioridades que se actualiza continuamente mas que em primeiro lugar põe sempre Jesus Cristo. Cada vez mais ouvimos dizer: “quando serei… quando terei...” mas quanto mais estamos empenhados, mais o Senhor nos chama a fazer alguma coisa. Acredito que é o Senhor que nos guia: não dou um pouco de tempo a Deus em base aos meus compromissos, mas arranjo um espaço para dar-Lhe tempo na oração, para estar com ele através da evangelização… o Evangelho é tudo para todos e nós somos chamados ao abandono das redes! Durante o meu dia de trabalho e de estudo encontro sempre tempo para o Senhor porque como cristão não deixo alguma coisa mas encontro uma pessoa. E encontrando Jesus tudo o resto é… resto. No fundo é uma escolha! Jesus chama-me, convida-me a seguí-lo e eu o sigo sem o saber. Jesus pede simplesmente que eu o siga e mais nada. Seguindo-o com todo mim mesmo descubro que pelas coisas que faço com coração em favor dos meus irmãos, mesmo sem receber recompensa, recebo uma grande alegria que dá sentido e qualidade ao meu viver e reforça o amor por Jesus. Fazer esta escolha é difícil: cada dia devo fazer contas com uma sociedade e com os esquemas que ela me impõe ou tenta impor-me; escolher coloca-me contra a parede, pronto para ser julgado, visto como diferente, enquanto quem julga não se dá conta que é ele que não consegue viver livre, mas escravo da matéria que o circunda. Pessoalmente procuro Deus nas pequenas coisas, naquelas que podem fazer-me imensamente feliz… encontro Deus na misericórdia, na fé vivida com simplicidade, no amor, na simplicidade da vida, na descoberta do próximo como irmão, na Igreja… procuro Deus nos sorrisos e nos prantos das pessoas… procuro Deus sobre a Cruz! Porque sobre  a Cruz morreu para a nossa salvação e o papel de quem o consegue ouvir e escutar é o de profetizar. Quem entrar em contacto profundo com a Palavra de Deus… não é nunca o mesmo! 

Comentários

Aqui escreves TU

Zacarias, o mudo que fala de Deus!

"Entretanto, chegou o dia em que Isabel devia dar à luz e teve um filho. 58 Os seus vizinhos e parentes, sabendo que o Senhor manifestara nela a sua misericórdia, rejubilaram com ela. 59 Ao oitavo dia, foram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome do pai, Zacarias. 60 Mas, tomando a palavra, a mãe disse: “Não; há-de chamar-se João.” 61 Disseram-lhe: “Não há ninguém na tua família que tenha esse nome.” 62 Então, por sinais, perguntaram ao pai como queria que ele se chamasse. Pedindo uma placa, o pai escreveu: “O seu nome é João.” (Lc 1,57-63)

O versículo 62 deste texto bem conhecido apresenta, aparentemente, uma dificuldade de interpretação. Em Lc 1,20 lemos: Vais ficar mudo, sem poder falar, até ao dia em que tudo isto acontecer, por não teres acreditado nas minhas palavras, que se cumprirão na altura própria. A tradução deste versículo pode começar de outro modo: Vais ficar em silêncio e sem capacidade (força) para falar. Não é absolutamente linear que o verbo siwpáw signi…

FRUTOS DA TERRA E DO TRABALHO DO HOMEM

(Depois da minha homilia no passado domingo na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, muitos mostraram-se interessados acerca da simbologia do Pão e do Vinho. Aproveito para partilhar o texto ao qual me inspirei para a minha homilia. O texto é de Enzo Bianchi, prior da comunidade de Bose - Itália)
É significativo que a palavra “Pão” apareça ao início da Bíblia sob o signo do trabalho, da fadiga, do suor: “comerás o pão com o suor da tua testa” (Gen 3, 19). De facto o pão significa antes de tudo comida, aquilo que sustém o homem, aquilo que é absolutamente necessário e que o homem deve procurar com o duro trabalho da terra. Quando à palavra “vinho”, ela aparece pela primeira vez no episódio de Noé, o patriarca supérstite do dilúvio  o qual, plantou uma vinha para se consolar e das uvas fez o vinho e bebendo-o embriagou-se (Gen 9,20-21). Assim o vinho é consolação mas também é capaz de provocar comportamentos indignos de um homem.  Mas, eis que quando a história aparece inequivocamente c…

Aos pés da Cruz!

Muitas pessoas presenciaram curiosos a crucifixão de Cristo no alto do Calvário.  São muitos os que assistiam atónitos ao suplício de um homem inocente. mas, são poucos os que ficaram aos pés da cruz: a mãe de Jesus; a irmã de Maria de Nazaré, Maria de Cleofas e Maria de Magdala, e nos assegura mais a frente o evangelista que perto da mãe estava também o discípulo amado de Jesus. Um pequeno grupo de pessoas. Somente um pequeno grupo de fidelíssimos têm a coragem de não fugir e testemunhar a própria fé Nele. Somente poucos audazes, juntamente com Maria têm a coragem de suportar com Cristo a dor e o sofrimento por uma morte injusta. Hoje, na Solenidade da Virgem das Dores somos chamados a contemplar Jesus no maior gesto de obediência da sua história. Somos chamados a olhar para Cristo e o mistério da nossa salvação, através do olhar da Mãe.  Contemplar este drama na vida da família de Nazaré, o último evento que Maria vive com o Filho, é quase entrar nos sentimentos de uma mãe com um fil…