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Se queres, podes!

O profeta Isaías proclamava que o Messias viria para anunciar a boa notícia aos pobres. Jesus comentando este texto na Sinagoga de Nazaré, diz solenemente: “cumpriu-se hoje esta palavra da Escritura” (Lc 4,18-19). Mas Jesus veio para curar as doenças dos pobres, muitas vezes de maneira extraordinária ou prodigiosa? Certo, muitas vezes Jesus dá prova da sua misericórdia diante dos sofrimentos humanos. Mas em todo caso, estes são sinais do poder que o Filho do homem recebeu daquele que o mandou para libertar o homem de uma escravidão ainda mais profunda, de uma lepra ainda mais crónica, para libertar do pecado. Quem pode perdoar os pecados senão Deus? “Ora, para saberdes que o Filho do homem tem na terra o poder de perdoar os pecados: levanta-te disse ao paralítico toma o teu leito e vai para a tua casa” (Mt 9,6). O que tem Jesus? O que irradia o mestre para provocar no leproso esta súplica cheia de fé: “Se queres, podes curar-me”? Jesus aproxima-se do leproso: “tocou-lhe”; o leproso manifesta a sua confiança, a sua alegria, o seu testemunho. Não pode ficar calado. E nós? Nós somos a Igrea de Jesus que prolongaa sua presença e a sua obra no mundo. Em todos os sectores onde está em jogo a dor de qualquer homem, onde a sua dignidade de filho de Deus é em perigo, onde existe marginalização, qualquer que seja, lá joga-se a nossa credibilidade enquanto Igreja que leva a salvação de Jesus.

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Aqui escreves TU

Zacarias, o mudo que fala de Deus!

"Entretanto, chegou o dia em que Isabel devia dar à luz e teve um filho. 58 Os seus vizinhos e parentes, sabendo que o Senhor manifestara nela a sua misericórdia, rejubilaram com ela. 59 Ao oitavo dia, foram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome do pai, Zacarias. 60 Mas, tomando a palavra, a mãe disse: “Não; há-de chamar-se João.” 61 Disseram-lhe: “Não há ninguém na tua família que tenha esse nome.” 62 Então, por sinais, perguntaram ao pai como queria que ele se chamasse. Pedindo uma placa, o pai escreveu: “O seu nome é João.” (Lc 1,57-63)

O versículo 62 deste texto bem conhecido apresenta, aparentemente, uma dificuldade de interpretação. Em Lc 1,20 lemos: Vais ficar mudo, sem poder falar, até ao dia em que tudo isto acontecer, por não teres acreditado nas minhas palavras, que se cumprirão na altura própria. A tradução deste versículo pode começar de outro modo: Vais ficar em silêncio e sem capacidade (força) para falar. Não é absolutamente linear que o verbo siwpáw signi…

FRUTOS DA TERRA E DO TRABALHO DO HOMEM

(Depois da minha homilia no passado domingo na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, muitos mostraram-se interessados acerca da simbologia do Pão e do Vinho. Aproveito para partilhar o texto ao qual me inspirei para a minha homilia. O texto é de Enzo Bianchi, prior da comunidade de Bose - Itália)
É significativo que a palavra “Pão” apareça ao início da Bíblia sob o signo do trabalho, da fadiga, do suor: “comerás o pão com o suor da tua testa” (Gen 3, 19). De facto o pão significa antes de tudo comida, aquilo que sustém o homem, aquilo que é absolutamente necessário e que o homem deve procurar com o duro trabalho da terra. Quando à palavra “vinho”, ela aparece pela primeira vez no episódio de Noé, o patriarca supérstite do dilúvio  o qual, plantou uma vinha para se consolar e das uvas fez o vinho e bebendo-o embriagou-se (Gen 9,20-21). Assim o vinho é consolação mas também é capaz de provocar comportamentos indignos de um homem.  Mas, eis que quando a história aparece inequivocamente c…

Aos pés da Cruz!

Muitas pessoas presenciaram curiosos a crucifixão de Cristo no alto do Calvário.  São muitos os que assistiam atónitos ao suplício de um homem inocente. mas, são poucos os que ficaram aos pés da cruz: a mãe de Jesus; a irmã de Maria de Nazaré, Maria de Cleofas e Maria de Magdala, e nos assegura mais a frente o evangelista que perto da mãe estava também o discípulo amado de Jesus. Um pequeno grupo de pessoas. Somente um pequeno grupo de fidelíssimos têm a coragem de não fugir e testemunhar a própria fé Nele. Somente poucos audazes, juntamente com Maria têm a coragem de suportar com Cristo a dor e o sofrimento por uma morte injusta. Hoje, na Solenidade da Virgem das Dores somos chamados a contemplar Jesus no maior gesto de obediência da sua história. Somos chamados a olhar para Cristo e o mistério da nossa salvação, através do olhar da Mãe.  Contemplar este drama na vida da família de Nazaré, o último evento que Maria vive com o Filho, é quase entrar nos sentimentos de uma mãe com um fil…