Avançar para o conteúdo principal

Paulo, homem da unidade!

Hoje vemos o poder de Deus em São Paulo, que de perseguidor tornou-se Apostolo que acolheu a fé em Cristo e a difundiu, com uma fecundidade apostólica extraordinária, que ainda não cessou. Mas porque ainda estamos na semana de oração pela unidade dos cristãos, reflictamos sobre alguns aspectos da conversão de Paulo que podemos relacionar com a unidade dos cristãos. São Paulo preocupava-se ao máximo com a unidade do povo de Deus. Foi exactamente este motivo que o levara a perseguir os cristãos: ele não tolerava nem mesmo o pensamento que alguns homens do seu povo se afastassem da tradição antiga, ele que tinha sido educado, como ele mesmo diz, à exacta observância da Lei do Pais e era cheio de zelo por Deus. Aos judeus que o escutam depois de ter sido preso ele compara o seu zelo ao zelo deles: “… cheio de zelo por Deus, como hoje o vós o sois”. É portanto possível ser pleno de zelo por Deus, mas de modo errado. O mesmo São Paulo o diz na carta aos Romanos: “eles estão cheios de zelo, mas não é o zelo segundo Deus”, é um zelo por Deus, mas concebido segundo os homens. (cfr. Rm 10,2) Ora, enquanto Paulo, cheio de zelo por Deus, usava todos os meios e em particular aqueles violentos para manter a unidade do Povo de Deus, Deus o “converte” completamente, dirigindo-lhe aquelas palavras que revelam claramente qual seja a verdadeira unidade. “Quem és tu. Senhor? Disse-me: Eu sou Jesus, o Nazareno, que tu persegues” . Nas três narrações da conversão de Paulo muitos detalhes mudam: alguns são acrescentados, outros desaparecem, mas estas palavras estão sempre lá, porque são verdadeiramente centrais. Paulo evidentemente não tinha consciência que estava a perseguir Jesus, algemando os cristãos, mas o Senhor neste momento revela-lhe a unidade profunda existente entre ele e os seus discípulos: “Eu sou Jesus, o Nazareno, que tu persegues”. Talvez aqui Paulo teve a primeira revelação do corpo de Cristo, do qual falou depois nas suas cartas. Todos somos membros de Cristo pela fé nele: nisto consiste a nossa unidade O próprio Jesus funda a sua Igreja visível. “O que devo fazer, Senhor?” pergunta Paulo, e o Senhor não o responde directamente: “vai para Damasco; lá serás informado de tudo o que deves fazer”. Manda-lhe portanto à Igreja, não quer para o seu Apostolo uma conversão individualística, sem nenhuma relação com os outros discípulos. Ele deve inserir-se na Igreja, Corpo de Cristo, ao qual deve aderir para viver a verdadeira fé. Depois da sua conversão Paulo conservou no coração o desejo de estar unido ao povo de Israel. O escreve na carta aos Romanos com palavras que não podemos ler sem alguma comoção: “digo a verdade em Cristo, não minto, e a minha consciência me dá testemunha no Espírito Santo: tenho no coração uma grande dor e um sofrimento contínuo. Queria de facto ser eu mesmo anátema, separado de Cristo em vantagem dos meus irmãos, meus consanguíneos segundo a carne. Eles são Israelitas e possuem a adopção de filhos, a glória, as alianças, a legislação, o culto, as promessas, os patriarcas, deles provêm Cristo segundo a carne, ele que está acima de todas as coisas, Deus seja bendito pelos séculos”. Cada cristão devia ter esta tristeza contínua, que não impede de ser alegres em Cristo, porque é uma tristeza, segundo Deus, que nos une ao coração de Cristo. E o sofrimento pelo povo de Israel que não reconhece Cristo, pelos cristãos que estão divididos e não alcançam a unidade que o Senhor quer.

Comentários

Aqui escreves TU

Zacarias, o mudo que fala de Deus!

"Entretanto, chegou o dia em que Isabel devia dar à luz e teve um filho. 58 Os seus vizinhos e parentes, sabendo que o Senhor manifestara nela a sua misericórdia, rejubilaram com ela. 59 Ao oitavo dia, foram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome do pai, Zacarias. 60 Mas, tomando a palavra, a mãe disse: “Não; há-de chamar-se João.” 61 Disseram-lhe: “Não há ninguém na tua família que tenha esse nome.” 62 Então, por sinais, perguntaram ao pai como queria que ele se chamasse. Pedindo uma placa, o pai escreveu: “O seu nome é João.” (Lc 1,57-63)

O versículo 62 deste texto bem conhecido apresenta, aparentemente, uma dificuldade de interpretação. Em Lc 1,20 lemos: Vais ficar mudo, sem poder falar, até ao dia em que tudo isto acontecer, por não teres acreditado nas minhas palavras, que se cumprirão na altura própria. A tradução deste versículo pode começar de outro modo: Vais ficar em silêncio e sem capacidade (força) para falar. Não é absolutamente linear que o verbo siwpáw signi…

FRUTOS DA TERRA E DO TRABALHO DO HOMEM

(Depois da minha homilia no passado domingo na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, muitos mostraram-se interessados acerca da simbologia do Pão e do Vinho. Aproveito para partilhar o texto ao qual me inspirei para a minha homilia. O texto é de Enzo Bianchi, prior da comunidade de Bose - Itália)
É significativo que a palavra “Pão” apareça ao início da Bíblia sob o signo do trabalho, da fadiga, do suor: “comerás o pão com o suor da tua testa” (Gen 3, 19). De facto o pão significa antes de tudo comida, aquilo que sustém o homem, aquilo que é absolutamente necessário e que o homem deve procurar com o duro trabalho da terra. Quando à palavra “vinho”, ela aparece pela primeira vez no episódio de Noé, o patriarca supérstite do dilúvio  o qual, plantou uma vinha para se consolar e das uvas fez o vinho e bebendo-o embriagou-se (Gen 9,20-21). Assim o vinho é consolação mas também é capaz de provocar comportamentos indignos de um homem.  Mas, eis que quando a história aparece inequivocamente c…

Aos pés da Cruz!

Muitas pessoas presenciaram curiosos a crucifixão de Cristo no alto do Calvário.  São muitos os que assistiam atónitos ao suplício de um homem inocente. mas, são poucos os que ficaram aos pés da cruz: a mãe de Jesus; a irmã de Maria de Nazaré, Maria de Cleofas e Maria de Magdala, e nos assegura mais a frente o evangelista que perto da mãe estava também o discípulo amado de Jesus. Um pequeno grupo de pessoas. Somente um pequeno grupo de fidelíssimos têm a coragem de não fugir e testemunhar a própria fé Nele. Somente poucos audazes, juntamente com Maria têm a coragem de suportar com Cristo a dor e o sofrimento por uma morte injusta. Hoje, na Solenidade da Virgem das Dores somos chamados a contemplar Jesus no maior gesto de obediência da sua história. Somos chamados a olhar para Cristo e o mistério da nossa salvação, através do olhar da Mãe.  Contemplar este drama na vida da família de Nazaré, o último evento que Maria vive com o Filho, é quase entrar nos sentimentos de uma mãe com um fil…