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A história e a cultura nos fazem tropeçar na vida de Jesus e na sua pessoa. Em cada época acontece aquilo que o evangelista João descreve assim: «E havia entre o povo uma grande murmuração a seu respeito. Uns diziam: “É homem de bem!”. Outros, porém, afirmavam: “Não; o que Ele anda é a desencaminhar o povo!”» (Jo 7,12). O hebreu Jesus continua sendo para nós pedra de tropeço: as suas escolhas de vida, os seu gestos, nos deixam mal dispostos, nos provocam! Jesus não está calado e tranquilo: si nos apresenta com seu anti-conformismo além de todas as modas, com as suas estranhezas embaraçantes e a sua novidade. 
A palavra de Jesus nos penetra porque nos abre a uma vida diferente: e a nossa primeira reacção é o medo de ter que mudar, ou talvez de poder mudar. Ao mesmo tempo sentimos uma atracção profunda por ele, pelo seu fortíssimo amor por toda e cada vida! Jesus não faz e não diz somente aquilo que está de acordo com o que fazemos ou pensamos nós. Jesus autónomo, manso e sincero nos contesta, nos critica: aqueles que pensam estar já da sua parte enraivecem, os outros se revoltam e exigem um respeitoso silêncio! Please, do not disturb!
E então? Cada um faz por si ou: “Mestre, onde moras?”.
Jesus se conhece fazendo estrada com ele, deixando que ele entre no nosso coração, ruminando o seu Evangelho. Preocupar-se juntamente com ele de todas as pessoas que necessitam de amor, de respeito, de escuta, de misericórdia. Jesus está antes e é maior do que toda a compreensão racional: se oferece a nós como o Filho de Deus feito carne de homem. É uma pessoa! Por isso podemos instaurar com ele uma relação de “pessoa a pessoa”, falar com ele, escutá-lo e reconhece-lo vivo no rosto e no corpo de todo o ser humano. Jesus nos atrai a segui-lo além dos nossos confins, nos provoca a habitar a sua vida nova.
Frei Marcelo (capuchinho italiano)

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Zacarias, o mudo que fala de Deus!

"Entretanto, chegou o dia em que Isabel devia dar à luz e teve um filho. 58 Os seus vizinhos e parentes, sabendo que o Senhor manifestara nela a sua misericórdia, rejubilaram com ela. 59 Ao oitavo dia, foram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome do pai, Zacarias. 60 Mas, tomando a palavra, a mãe disse: “Não; há-de chamar-se João.” 61 Disseram-lhe: “Não há ninguém na tua família que tenha esse nome.” 62 Então, por sinais, perguntaram ao pai como queria que ele se chamasse. Pedindo uma placa, o pai escreveu: “O seu nome é João.” (Lc 1,57-63)

O versículo 62 deste texto bem conhecido apresenta, aparentemente, uma dificuldade de interpretação. Em Lc 1,20 lemos: Vais ficar mudo, sem poder falar, até ao dia em que tudo isto acontecer, por não teres acreditado nas minhas palavras, que se cumprirão na altura própria. A tradução deste versículo pode começar de outro modo: Vais ficar em silêncio e sem capacidade (força) para falar. Não é absolutamente linear que o verbo siwpáw signi…

FRUTOS DA TERRA E DO TRABALHO DO HOMEM

(Depois da minha homilia no passado domingo na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, muitos mostraram-se interessados acerca da simbologia do Pão e do Vinho. Aproveito para partilhar o texto ao qual me inspirei para a minha homilia. O texto é de Enzo Bianchi, prior da comunidade de Bose - Itália)
É significativo que a palavra “Pão” apareça ao início da Bíblia sob o signo do trabalho, da fadiga, do suor: “comerás o pão com o suor da tua testa” (Gen 3, 19). De facto o pão significa antes de tudo comida, aquilo que sustém o homem, aquilo que é absolutamente necessário e que o homem deve procurar com o duro trabalho da terra. Quando à palavra “vinho”, ela aparece pela primeira vez no episódio de Noé, o patriarca supérstite do dilúvio  o qual, plantou uma vinha para se consolar e das uvas fez o vinho e bebendo-o embriagou-se (Gen 9,20-21). Assim o vinho é consolação mas também é capaz de provocar comportamentos indignos de um homem.  Mas, eis que quando a história aparece inequivocamente c…

O carinho do Papa Francisco que irrita muitos padres

É uma coisa maravilhosa mas, por exemplo, também João Paulo II foi à cadeia encontrar o seu assassino Ali Agca. Mas desta vez, aposto, acontecerá que alguém da minha paróquia me perguntará porque razão, a partir do momento que o Papa foi até Calábria, porque eu não vou nem mesmo visitar a senhora Pina que habita numa casa popular, e passou todo o inverno sem aquecimento porque não se fez a reparação no sistema. Sempre em Calábria, na missa da tarde de ontem disse: “a ‘ndrangheta é isto: adoração do mal e desprezo do bem comum”, “os maviosos, não estão em comunhão com Deus, são excomungados” e a minha gente não fará comparação com João Paulo II em Agrigento, mas perguntará a mim porque nas minhas homilias sou assim tão politically corect Sempre ontem, de manhã aos padres como eu dizia que não devemos pôr “ao centro nós mesmos e assim em vez de sermos canais tornamo-nos ecrãs” e estou certo que basta me sentar no confessionário e escutar com superficialidade, alguém, seguramente, me r…