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Uma oração sem retórica

O Pai Nosso é uma maravilhosa oração por causa da sua sobriedade: não há uma palavra a mais nem inúteis adjectivos. Já o sábio Qohelet dizia que a oração deve ser de poucas palavras. Poucas, mas verdadeiras. A que serve multiplicar as palavras? As palavras inúteis e a mais cansam a Deus e aos homens.
De facto Jesus ensinou o Pai Nosso exactamente para contrapor-se às intermináveis orações dos pagãos: “porque pensam que, por muito falarem, serão atendidos ”.
O Pai Nosso é uma oração de pedidos, não de louvor, nem de agradecimento. Simplesmente de pedidos. E isto é esplendido!
Pensamos - às vezes - que a oração de pedidos é mais humilde, a mais interesseira das orações, num certo sentido até indigno do homem maduro na fé. Talvez! Eu, porém, pessoalmente penso que a oração de pedidos é a mais verdadeira de todas as outras. É aquela que fotografa o homem nas suas mais reais dimensões: o perigo, a impotência, o medo e a miséria.
Próprio porque é uma oração de pedidos, somente de pedidos, o Pai Nosso é a oração do homem. Porém do homem autêntico, simplificado, que pede as coisas necessárias, não coisas inúteis e pesados, não coisas a mais: o Reino de Deus, o pão de cada dia, o perdão, a vitória sobre o mal.
As necessidades do homem são muitos. Ao menos assim pensamos nós. O Pai nosso, porém, indica somente três: o pão para cada dia, o perdão dos pecados, a força para vencer o mal. Porque estas três e não outras? Evidentemente porque o Pai Nosso as considera essências e suficientes.
Com esta escolha a oração de Jesus nos convida a um esclarecimento da nossa vida: diz-nos quais são as verdadeiras necessidades, convidando-nos e preocupar-nos com estas e a deixar estar as outras porque inúteis, pensantes e superficiais.
Veja AQUI o video sobre a oração

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Aqui escreves TU

Zacarias, o mudo que fala de Deus!

"Entretanto, chegou o dia em que Isabel devia dar à luz e teve um filho. 58 Os seus vizinhos e parentes, sabendo que o Senhor manifestara nela a sua misericórdia, rejubilaram com ela. 59 Ao oitavo dia, foram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome do pai, Zacarias. 60 Mas, tomando a palavra, a mãe disse: “Não; há-de chamar-se João.” 61 Disseram-lhe: “Não há ninguém na tua família que tenha esse nome.” 62 Então, por sinais, perguntaram ao pai como queria que ele se chamasse. Pedindo uma placa, o pai escreveu: “O seu nome é João.” (Lc 1,57-63)

O versículo 62 deste texto bem conhecido apresenta, aparentemente, uma dificuldade de interpretação. Em Lc 1,20 lemos: Vais ficar mudo, sem poder falar, até ao dia em que tudo isto acontecer, por não teres acreditado nas minhas palavras, que se cumprirão na altura própria. A tradução deste versículo pode começar de outro modo: Vais ficar em silêncio e sem capacidade (força) para falar. Não é absolutamente linear que o verbo siwpáw signi…

FRUTOS DA TERRA E DO TRABALHO DO HOMEM

(Depois da minha homilia no passado domingo na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, muitos mostraram-se interessados acerca da simbologia do Pão e do Vinho. Aproveito para partilhar o texto ao qual me inspirei para a minha homilia. O texto é de Enzo Bianchi, prior da comunidade de Bose - Itália)
É significativo que a palavra “Pão” apareça ao início da Bíblia sob o signo do trabalho, da fadiga, do suor: “comerás o pão com o suor da tua testa” (Gen 3, 19). De facto o pão significa antes de tudo comida, aquilo que sustém o homem, aquilo que é absolutamente necessário e que o homem deve procurar com o duro trabalho da terra. Quando à palavra “vinho”, ela aparece pela primeira vez no episódio de Noé, o patriarca supérstite do dilúvio  o qual, plantou uma vinha para se consolar e das uvas fez o vinho e bebendo-o embriagou-se (Gen 9,20-21). Assim o vinho é consolação mas também é capaz de provocar comportamentos indignos de um homem.  Mas, eis que quando a história aparece inequivocamente c…

Aos pés da Cruz!

Muitas pessoas presenciaram curiosos a crucifixão de Cristo no alto do Calvário.  São muitos os que assistiam atónitos ao suplício de um homem inocente. mas, são poucos os que ficaram aos pés da cruz: a mãe de Jesus; a irmã de Maria de Nazaré, Maria de Cleofas e Maria de Magdala, e nos assegura mais a frente o evangelista que perto da mãe estava também o discípulo amado de Jesus. Um pequeno grupo de pessoas. Somente um pequeno grupo de fidelíssimos têm a coragem de não fugir e testemunhar a própria fé Nele. Somente poucos audazes, juntamente com Maria têm a coragem de suportar com Cristo a dor e o sofrimento por uma morte injusta. Hoje, na Solenidade da Virgem das Dores somos chamados a contemplar Jesus no maior gesto de obediência da sua história. Somos chamados a olhar para Cristo e o mistério da nossa salvação, através do olhar da Mãe.  Contemplar este drama na vida da família de Nazaré, o último evento que Maria vive com o Filho, é quase entrar nos sentimentos de uma mãe com um fil…