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homens livres, servidores do Evangelho!

Hoje, a quarenta dias depois do Natal, a Igreja nos convida a celebrar a festa da Apresentação de Jesus no Templo.
Maria "apresenta" a Deus o seu filho Jesus e lho "oferece". ora, toda oferta é  também uma renúncia. Por isso podemos quase afirmar que começa aqui o mistério do sofrimento de Maria, que culmina ao pé da cruz. A cruz é a espada que atravessaria a sua alma. Todo judeu primogénito era um sinal quotidiano e memorial permanente da "libertação" da grande escravidão: os primogénitos de Israel no Egipto, foram poupados. Mas Jesus, o Primogénito por excelência, não será "poupado", mas com o seu sangue traz a nova e definitiva libertação. O gesto de Maria, que "oferece" o próprio filho se traduz no gesto litúrgico, de cada nossa Eucaristia. Quando o pão e o vinho - frutos da terra e do trabalho do homem - nos é dado de novo como Corpo e Sangue de Cristo, também nós somos em paz do Senhor, porque contemplamos a sua salvação e vivemos na expectativa da sua "vinda".
Por vontade do Papa João Paulo II se celebra também a Jornada de oração pelos consagrados. Ora pelo Baptismo somos já todos consagrados a Cristo. No entanto essa fundamental e insuperável consagração que nos constitui como novo povo de Deus em igual dignidade deve assumir formas concretas em vista á própria santificação, à santificação dos irmãos e ao testemunho evangélico ao mundo de hoje. É assim que nasceu na Igreja a vida religiosa, homens e mulheres que professando os conselhos evangélicos vivem o próprio Baptismo na Igreja sendo uma chamada de atenção constante sobre os verdadeiros valores da vida e da fé. Os objectivos da celebração deste dia é, segundo o saudoso Papa, “ajudar toda a Igreja a valorizar cada vez mais o testemunho das pessoas que decidiram seguir Cristo pela prática dos conselhos evangélicos e, ao mesmo tempo, uma ocasião propícia para as pessoas consagradas renovarem o seu compromisso e reacender o fervor que devem inspirar a sua doação ao Senhor.”
Não posso, porém, deixar de lamentar, à luz do primeiro objectivo, o facto de este importante dia se resumir no fim, em algumas Igrejas, a um mero encontro dos religiosos com o próprio bispo (noutras Igrejas nem mesmo isto). Para mim o não valorizar a riqueza que representa os religiosos Igreja local, ou uma errada visão funcionalistica dos religiosos, é um evidente sinal de auto-suficiência dos nossos pastores e agentes pastorais. Muitos, de facto, consideram a vida religiosa uma concorrência na actividade pastoral. Tudo isto é fruto de uma concepção de Igreja ainda centralista, clericalista e jerarquica incapaz de acolher e valorizar a diferença. Em algumas Igrejas que conheço o corporalismo é ainda forte e dá evidentes sinais de querer consolidar ainda mais. 
A esperança é que finalmente a eclesiologia de comunhão que o Concílio Vaticano II inaugurou seja finalmente acolhida nas nossas comunidades locais.  

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Aqui escreves TU

Zacarias, o mudo que fala de Deus!

"Entretanto, chegou o dia em que Isabel devia dar à luz e teve um filho. 58 Os seus vizinhos e parentes, sabendo que o Senhor manifestara nela a sua misericórdia, rejubilaram com ela. 59 Ao oitavo dia, foram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome do pai, Zacarias. 60 Mas, tomando a palavra, a mãe disse: “Não; há-de chamar-se João.” 61 Disseram-lhe: “Não há ninguém na tua família que tenha esse nome.” 62 Então, por sinais, perguntaram ao pai como queria que ele se chamasse. Pedindo uma placa, o pai escreveu: “O seu nome é João.” (Lc 1,57-63)

O versículo 62 deste texto bem conhecido apresenta, aparentemente, uma dificuldade de interpretação. Em Lc 1,20 lemos: Vais ficar mudo, sem poder falar, até ao dia em que tudo isto acontecer, por não teres acreditado nas minhas palavras, que se cumprirão na altura própria. A tradução deste versículo pode começar de outro modo: Vais ficar em silêncio e sem capacidade (força) para falar. Não é absolutamente linear que o verbo siwpáw signi…

FRUTOS DA TERRA E DO TRABALHO DO HOMEM

(Depois da minha homilia no passado domingo na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, muitos mostraram-se interessados acerca da simbologia do Pão e do Vinho. Aproveito para partilhar o texto ao qual me inspirei para a minha homilia. O texto é de Enzo Bianchi, prior da comunidade de Bose - Itália)
É significativo que a palavra “Pão” apareça ao início da Bíblia sob o signo do trabalho, da fadiga, do suor: “comerás o pão com o suor da tua testa” (Gen 3, 19). De facto o pão significa antes de tudo comida, aquilo que sustém o homem, aquilo que é absolutamente necessário e que o homem deve procurar com o duro trabalho da terra. Quando à palavra “vinho”, ela aparece pela primeira vez no episódio de Noé, o patriarca supérstite do dilúvio  o qual, plantou uma vinha para se consolar e das uvas fez o vinho e bebendo-o embriagou-se (Gen 9,20-21). Assim o vinho é consolação mas também é capaz de provocar comportamentos indignos de um homem.  Mas, eis que quando a história aparece inequivocamente c…

Aos pés da Cruz!

Muitas pessoas presenciaram curiosos a crucifixão de Cristo no alto do Calvário.  São muitos os que assistiam atónitos ao suplício de um homem inocente. mas, são poucos os que ficaram aos pés da cruz: a mãe de Jesus; a irmã de Maria de Nazaré, Maria de Cleofas e Maria de Magdala, e nos assegura mais a frente o evangelista que perto da mãe estava também o discípulo amado de Jesus. Um pequeno grupo de pessoas. Somente um pequeno grupo de fidelíssimos têm a coragem de não fugir e testemunhar a própria fé Nele. Somente poucos audazes, juntamente com Maria têm a coragem de suportar com Cristo a dor e o sofrimento por uma morte injusta. Hoje, na Solenidade da Virgem das Dores somos chamados a contemplar Jesus no maior gesto de obediência da sua história. Somos chamados a olhar para Cristo e o mistério da nossa salvação, através do olhar da Mãe.  Contemplar este drama na vida da família de Nazaré, o último evento que Maria vive com o Filho, é quase entrar nos sentimentos de uma mãe com um fil…