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Que todos sejam UM

Celebramos hoje, 25 de Janeiro, a festa da conversão de S. Paulo e em muitos países se conclui também a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. 
Ora, mais do que conversão convém falar de “vocação cristã” de Paulo. De facto, ele não era um ateu ou um pagão que necessitasse de se converter a Deus. Paulo era profundamente crente no Deus dos seus pais. Quando iniciaram as perseguições contra aqueles que proclamavam que Jesus Cristo tinha sido ressuscitado do mortos e que era o Senhor, Paulo se alinhou prontamente mostrando-se um feroz inimigo dos primeiros cristãos. Participa, ainda que não directamente, ao apedrejamento de Estevão, um discípulo de Jesus, o diácono mártir (At 7, 22). Nos dias seguintes ele perseguiu os outros discípulos de Jesus, "indo de casa em casa, capturando homens e mulheres metendo-os na prisão" (At 8, 3). 
É exactamente durante uma sua expedição a Damasco que Paulo encontra Jesus Ressuscitado. Foi um encontro de extraordinária dimensão que mudou completamente a sua existência. Daquele momento em diante torna-se o “apóstolo dos gentios” levando o Evangelho a todo o mundo. 
Com esta festa se conclui a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. O Ecumenismo é uma exigência do Evangelho, uma exigência radical, absoluta que vem de Deus que quer reunir todos os seus filhos dispersos. Esta exigência é hoje, mais do que nunca, uma prioridade porque nunca como este nosso tempo o apelo à unidade ressoa no coração dos filhos de Deus “guiados pelo Espírito” (Rm 8,14), com a mesma força com que ressoa o insistente convite do profeta: “convertei-vos”. Sim, o Ecumenismo é um apelo. Não se trata simplesmente de encontros fraternos para os quais é necessário dar graças a Deus. Não se trata nem mesmo de actividades comuns em vista de um objectivo social entre irmãos que sabem estar divididos no essencial. Não se trata também de um debate de ideias, necessário, sobre certas divergências de interpretação. Trata-se de acolher na humildade um apelo do Espírito de Verdade. Mãos às obras!! 

Comentários

Aqui escreves TU

Zacarias, o mudo que fala de Deus!

"Entretanto, chegou o dia em que Isabel devia dar à luz e teve um filho. 58 Os seus vizinhos e parentes, sabendo que o Senhor manifestara nela a sua misericórdia, rejubilaram com ela. 59 Ao oitavo dia, foram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome do pai, Zacarias. 60 Mas, tomando a palavra, a mãe disse: “Não; há-de chamar-se João.” 61 Disseram-lhe: “Não há ninguém na tua família que tenha esse nome.” 62 Então, por sinais, perguntaram ao pai como queria que ele se chamasse. Pedindo uma placa, o pai escreveu: “O seu nome é João.” (Lc 1,57-63)

O versículo 62 deste texto bem conhecido apresenta, aparentemente, uma dificuldade de interpretação. Em Lc 1,20 lemos: Vais ficar mudo, sem poder falar, até ao dia em que tudo isto acontecer, por não teres acreditado nas minhas palavras, que se cumprirão na altura própria. A tradução deste versículo pode começar de outro modo: Vais ficar em silêncio e sem capacidade (força) para falar. Não é absolutamente linear que o verbo siwpáw signi…

FRUTOS DA TERRA E DO TRABALHO DO HOMEM

(Depois da minha homilia no passado domingo na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, muitos mostraram-se interessados acerca da simbologia do Pão e do Vinho. Aproveito para partilhar o texto ao qual me inspirei para a minha homilia. O texto é de Enzo Bianchi, prior da comunidade de Bose - Itália)
É significativo que a palavra “Pão” apareça ao início da Bíblia sob o signo do trabalho, da fadiga, do suor: “comerás o pão com o suor da tua testa” (Gen 3, 19). De facto o pão significa antes de tudo comida, aquilo que sustém o homem, aquilo que é absolutamente necessário e que o homem deve procurar com o duro trabalho da terra. Quando à palavra “vinho”, ela aparece pela primeira vez no episódio de Noé, o patriarca supérstite do dilúvio  o qual, plantou uma vinha para se consolar e das uvas fez o vinho e bebendo-o embriagou-se (Gen 9,20-21). Assim o vinho é consolação mas também é capaz de provocar comportamentos indignos de um homem.  Mas, eis que quando a história aparece inequivocamente c…

Aos pés da Cruz!

Muitas pessoas presenciaram curiosos a crucifixão de Cristo no alto do Calvário.  São muitos os que assistiam atónitos ao suplício de um homem inocente. mas, são poucos os que ficaram aos pés da cruz: a mãe de Jesus; a irmã de Maria de Nazaré, Maria de Cleofas e Maria de Magdala, e nos assegura mais a frente o evangelista que perto da mãe estava também o discípulo amado de Jesus. Um pequeno grupo de pessoas. Somente um pequeno grupo de fidelíssimos têm a coragem de não fugir e testemunhar a própria fé Nele. Somente poucos audazes, juntamente com Maria têm a coragem de suportar com Cristo a dor e o sofrimento por uma morte injusta. Hoje, na Solenidade da Virgem das Dores somos chamados a contemplar Jesus no maior gesto de obediência da sua história. Somos chamados a olhar para Cristo e o mistério da nossa salvação, através do olhar da Mãe.  Contemplar este drama na vida da família de Nazaré, o último evento que Maria vive com o Filho, é quase entrar nos sentimentos de uma mãe com um fil…