Avançar para o conteúdo principal

Recebei de graça, dai de graça!

Possuir
“Buscai o bem e não o mal, para que vivais, e o Senhor, Deus do universo, estará convosco, como vós dizeis. Detestai o mal, amai o bem, fazei reinar a justiça no tribunal. Talvez, então, o Senhor, Deus do universo, tenha compaixão do resto de José” (Amós 5, 14-15)
Para a Bíblia os bens são expressões da benção divina. Tudo aquilo que existe está sob a benção de Deus: bem-dizer é querer o bem do homem. O povo de Israel, qual destinatário  da Terra Prometida, deve compreender que a Terra é um dom de Deus que deve ser possuída na justiça (não com violência e poder) e na fidelidade ao doador. 
Mas porque, sempre para a Bíblia, o homem é por sua vez chamado a imitar a bondade  divina tornando-se benção para o outro homem, nasce a responsabilidade de uma equa distribuição das riquezas e de um justo uso dos bens. Em síntese, a riqueza é uma benção se é usada para a necessidade do outro, enquanto se transforma em maldição se foge à ordem da justiça, se fecha nos confins egoistícos do eu. 
Por isso os profetas muitas vezes no Antigo Testamento condenam os ricos e defendem os pobres. Nas suas riquezas vêem a causa das injustiças para com os pobres e frágeis porque a fidelidade à aliança com Deus exige o respeito do direito e o exercício da justiça. 
Acumular 
Não acumuleis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem os corroem e os ladrões arrombam os muros, a fim de os roubar” (Mateus 6, 19-21)
O que pensa Jesus sobre o dinheiro, sobre a riqueza? Como se devemos comportar em relação aos bens deste mundo? O dinheiro não é em si mesmo nem um bem nem um mal, é um instrumento em que em relação ao seu poder sedutor devemos estar atentos porque se transforma facilmente num ídolo ao qual sacrificamos nós mesmos e os outros. Ocorre escolher: qual divindade queremos servir? Deus ou o dinheiro? 
Jesus chama a nossa atenção mostrando-nos quanto é perigoso e enganador colocar no dinheiro a nossa própria esperança. Muitas vezes os homens acreditam ilusoriamente que encontram, acumulando riquezas, liberdade e segurança enquanto na verdade se limitam a viver inquietudes e preocupações. Uma autêntica escravidão! 
Não é certamente um mal viver do fruto do próprio trabalho, pelo contrário, é um dever, diria São Paulo: “quem non quer trabalhar ……...” (2Ts 3, 10). O ensinamento de Jesus consiste em pontualizar o uso do dinheiro e dos bens em geral. Um uso justo, livre de uma excessiva preocupação para o amanhã, ao serviço do bem-estar pessoal e de todos, tendo presente que aquilo que é central para o discípulo é ante de tido Deus e a vinda do seu Reino. 
Partilhar
A multidão dos que haviam abraçado a fé tinha um só coração e uma só alma. Ninguém chamava seu ao que lhe pertencia, mas entre eles tudo era comum. Entre eles não havia ninguém necessitado, pois todos os que possuíam terras ou casas vendiam-nas, traziam o produto da venda” (Actos 4, 32.34)
Já no grupo dos discípulos existia uma caixa comum destinada seja às necessidades da comunidade seja aos pobres. 
O modo de gestir os bens narrado por Lucas nos Atos dos Apóstolos indica prática do ensinamento de Jesus da parte da primeira comunidade cristã. 
Não podemos privar-nos dos bens e do uso do dinheiro e, portanto, não é possível não consumir senão se ruína toda a sociedade. Todavia o pensamento de Jesus acerca disto é claro: os bens permanecem um bem quando nos compromete para que sejam justamente distribuído e destinados a todos. Uma voz, a sua, que se escutada podia transformar o mundo e os destinos de muitos, crentes e não crentes.   

Comentários

Aqui escreves TU

Zacarias, o mudo que fala de Deus!

"Entretanto, chegou o dia em que Isabel devia dar à luz e teve um filho. 58 Os seus vizinhos e parentes, sabendo que o Senhor manifestara nela a sua misericórdia, rejubilaram com ela. 59 Ao oitavo dia, foram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome do pai, Zacarias. 60 Mas, tomando a palavra, a mãe disse: “Não; há-de chamar-se João.” 61 Disseram-lhe: “Não há ninguém na tua família que tenha esse nome.” 62 Então, por sinais, perguntaram ao pai como queria que ele se chamasse. Pedindo uma placa, o pai escreveu: “O seu nome é João.” (Lc 1,57-63)

O versículo 62 deste texto bem conhecido apresenta, aparentemente, uma dificuldade de interpretação. Em Lc 1,20 lemos: Vais ficar mudo, sem poder falar, até ao dia em que tudo isto acontecer, por não teres acreditado nas minhas palavras, que se cumprirão na altura própria. A tradução deste versículo pode começar de outro modo: Vais ficar em silêncio e sem capacidade (força) para falar. Não é absolutamente linear que o verbo siwpáw signi…

FRUTOS DA TERRA E DO TRABALHO DO HOMEM

(Depois da minha homilia no passado domingo na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, muitos mostraram-se interessados acerca da simbologia do Pão e do Vinho. Aproveito para partilhar o texto ao qual me inspirei para a minha homilia. O texto é de Enzo Bianchi, prior da comunidade de Bose - Itália)
É significativo que a palavra “Pão” apareça ao início da Bíblia sob o signo do trabalho, da fadiga, do suor: “comerás o pão com o suor da tua testa” (Gen 3, 19). De facto o pão significa antes de tudo comida, aquilo que sustém o homem, aquilo que é absolutamente necessário e que o homem deve procurar com o duro trabalho da terra. Quando à palavra “vinho”, ela aparece pela primeira vez no episódio de Noé, o patriarca supérstite do dilúvio  o qual, plantou uma vinha para se consolar e das uvas fez o vinho e bebendo-o embriagou-se (Gen 9,20-21). Assim o vinho é consolação mas também é capaz de provocar comportamentos indignos de um homem.  Mas, eis que quando a história aparece inequivocamente c…

O carinho do Papa Francisco que irrita muitos padres

É uma coisa maravilhosa mas, por exemplo, também João Paulo II foi à cadeia encontrar o seu assassino Ali Agca. Mas desta vez, aposto, acontecerá que alguém da minha paróquia me perguntará porque razão, a partir do momento que o Papa foi até Calábria, porque eu não vou nem mesmo visitar a senhora Pina que habita numa casa popular, e passou todo o inverno sem aquecimento porque não se fez a reparação no sistema. Sempre em Calábria, na missa da tarde de ontem disse: “a ‘ndrangheta é isto: adoração do mal e desprezo do bem comum”, “os maviosos, não estão em comunhão com Deus, são excomungados” e a minha gente não fará comparação com João Paulo II em Agrigento, mas perguntará a mim porque nas minhas homilias sou assim tão politically corect Sempre ontem, de manhã aos padres como eu dizia que não devemos pôr “ao centro nós mesmos e assim em vez de sermos canais tornamo-nos ecrãs” e estou certo que basta me sentar no confessionário e escutar com superficialidade, alguém, seguramente, me r…