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Bom Natal!



Eis-nos com a graça de Deus a celebrar na fé e na alegria mais um Natal do Senhor. Chegámos aqui depois de quase um mês de preparação em que a Palavra de Deus nos instruía para que esta não fosse um simples Natal de consumo e de imagens mas fosse um verdadeiro encontro e conformação com aquele que se dignou assumir a nossa condição humana.
Vivemos num tempo e numa sociedade frenética, escrava da imagem e do consumo. Nos telejornais não se fala outra coisa senão das ultimas correrias para o ultimo shoping antes da vigília para que à hora certa debaixo da arvore todos possam encontrar a confecção justa. Também nós cristãos, vivendo neste tempo, consciente ou inconscientemente caímos nesta rotina que empobrece a extraodinaridade do mistério do Natal. Chegámos ao Natal cansados, ou, para usar um termo moderno, stressado.
Este Natal consumista e moralizada (é Natal temos que ser melhores, temos que fazer algum bem) aumenta ainda mais as injustiças que já laceram o nosso mundo e obscura a verdadeira solidariedade que devia ser uma característica nossa durante todo o ano.
Com o Natal começa para a humanidade um aventura de luz e de alegria, como sugere o capítulo 9 de Isaías. Deus se une à história do homem, ou melhor, à carne do homem. Na carne Deus encontra a sua “tenda de encontro” com o homem. A história, o tempo, o espaço, as coisas, o homem adquirem finalmente um sentido porque neles se insere a Palavra, o projecto eterno de Deus. A pessoa de Jesus é uma grande mensagem de Deus à humanidade, uma mensagem que dá sentido e substância ao nosso existir. O espaço, o tempo, as coisas e o homem adquirem sentido e são decisivamente orientados aos “novos céus e à nova terra”.
Queria augurar de coração a todos os que acompanharam-me durante este ano aqui no http://poco-da-palavra.blogspot.com um sereno e santo Natal do Senhor. Obrigado a todos. Paz e bem!

Comentários

Aqui escreves TU

Zacarias, o mudo que fala de Deus!

"Entretanto, chegou o dia em que Isabel devia dar à luz e teve um filho. 58 Os seus vizinhos e parentes, sabendo que o Senhor manifestara nela a sua misericórdia, rejubilaram com ela. 59 Ao oitavo dia, foram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome do pai, Zacarias. 60 Mas, tomando a palavra, a mãe disse: “Não; há-de chamar-se João.” 61 Disseram-lhe: “Não há ninguém na tua família que tenha esse nome.” 62 Então, por sinais, perguntaram ao pai como queria que ele se chamasse. Pedindo uma placa, o pai escreveu: “O seu nome é João.” (Lc 1,57-63)

O versículo 62 deste texto bem conhecido apresenta, aparentemente, uma dificuldade de interpretação. Em Lc 1,20 lemos: Vais ficar mudo, sem poder falar, até ao dia em que tudo isto acontecer, por não teres acreditado nas minhas palavras, que se cumprirão na altura própria. A tradução deste versículo pode começar de outro modo: Vais ficar em silêncio e sem capacidade (força) para falar. Não é absolutamente linear que o verbo siwpáw signi…

FRUTOS DA TERRA E DO TRABALHO DO HOMEM

(Depois da minha homilia no passado domingo na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, muitos mostraram-se interessados acerca da simbologia do Pão e do Vinho. Aproveito para partilhar o texto ao qual me inspirei para a minha homilia. O texto é de Enzo Bianchi, prior da comunidade de Bose - Itália)
É significativo que a palavra “Pão” apareça ao início da Bíblia sob o signo do trabalho, da fadiga, do suor: “comerás o pão com o suor da tua testa” (Gen 3, 19). De facto o pão significa antes de tudo comida, aquilo que sustém o homem, aquilo que é absolutamente necessário e que o homem deve procurar com o duro trabalho da terra. Quando à palavra “vinho”, ela aparece pela primeira vez no episódio de Noé, o patriarca supérstite do dilúvio  o qual, plantou uma vinha para se consolar e das uvas fez o vinho e bebendo-o embriagou-se (Gen 9,20-21). Assim o vinho é consolação mas também é capaz de provocar comportamentos indignos de um homem.  Mas, eis que quando a história aparece inequivocamente c…

Aos pés da Cruz!

Muitas pessoas presenciaram curiosos a crucifixão de Cristo no alto do Calvário.  São muitos os que assistiam atónitos ao suplício de um homem inocente. mas, são poucos os que ficaram aos pés da cruz: a mãe de Jesus; a irmã de Maria de Nazaré, Maria de Cleofas e Maria de Magdala, e nos assegura mais a frente o evangelista que perto da mãe estava também o discípulo amado de Jesus. Um pequeno grupo de pessoas. Somente um pequeno grupo de fidelíssimos têm a coragem de não fugir e testemunhar a própria fé Nele. Somente poucos audazes, juntamente com Maria têm a coragem de suportar com Cristo a dor e o sofrimento por uma morte injusta. Hoje, na Solenidade da Virgem das Dores somos chamados a contemplar Jesus no maior gesto de obediência da sua história. Somos chamados a olhar para Cristo e o mistério da nossa salvação, através do olhar da Mãe.  Contemplar este drama na vida da família de Nazaré, o último evento que Maria vive com o Filho, é quase entrar nos sentimentos de uma mãe com um fil…