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Quero Ficar em casa Tua


A história de Zaqueu é uma história de olhares... Há o olhar de Zaqueu, que procurava ver quem era Jesus; correu e subiu a um sicómoro para ver Jesus que devia passar por aí. Há o olhar de Jesus que, ao chegar a esse lugar, ergueu os olhos... Há, enfim, o olhar da multidão, que, ao ver tudo isso, recriminava Jesus por ir a casa de um pecador. Três olhares, tão diferentes uns dos outros! Bem o sabemos: o olhar é uma linguagem para lá das palavras. Os nossos olhares falam muito mais do que tantos discursos. As nossas palavras podem mentir, os nossos olhares não. Reparemos no olhar da multidão, em primeiro lugar. Jesus tinha curado um mendigo cego; ao ver isso, a multidão celebrou os louvores de Deus. Ao ver o maravilhoso, a multidão maravilhou-se. E depois, tudo muda de repente. Após a atitude de Jesus para com Zaqueu, a multidão olha Jesus com hostilidade. Versatilidade das multidões, sem dúvida. Mas também versatilidade dos nossos próprios olhares. Basta uma coisita de nada para que o meu olhar sobre aquele que estimava mude, quando percebo que ele não era “bem” aquilo que eu pensava! Em segundo lugar, reparemos no olhar de Zaqueu. Mais do que um olhar de simples curiosidade, é um olhar de desejo. Ele tinha ouvido dizer que este Jesus não falava como os escribas e os fariseus. Além disso, Ele fazia milagres. Não viria Ele da parte de Deus? Então, ele quer ver este rabino que não é como os outros. Mas a sua procura continua tímida. Não ousa avançar demasiado. E eu? Qual é o meu desejo de ver Jesus, de O conhecer? Não sou demasiado tímido quando se trata da minha ligação com Jesus e da minha fé? Finalmente, há o olhar de Jesus, que ergueu os olhos para Zaqueu. Que viu Ele? Um pecador à margem da Lei, banido por todos? Não, Jesus viu um homem rejeitado por todos, um homem habitado por um desejo, talvez não muito explícito, de ser acolhido por Ele próprio. Viu um homem que não tinha ainda compreendido que Deus o amava, apesar dos seus pecados, que Deus o olhava unicamente à luz do seu amor primeiro
e gratuito. Então, Jesus colocou no seu olhar sobre Zaqueu todo este amor que transformou o publicano. E que o salvou!
(www.dehonianos.org)

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Aqui escreves TU

Zacarias, o mudo que fala de Deus!

"Entretanto, chegou o dia em que Isabel devia dar à luz e teve um filho. 58 Os seus vizinhos e parentes, sabendo que o Senhor manifestara nela a sua misericórdia, rejubilaram com ela. 59 Ao oitavo dia, foram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome do pai, Zacarias. 60 Mas, tomando a palavra, a mãe disse: “Não; há-de chamar-se João.” 61 Disseram-lhe: “Não há ninguém na tua família que tenha esse nome.” 62 Então, por sinais, perguntaram ao pai como queria que ele se chamasse. Pedindo uma placa, o pai escreveu: “O seu nome é João.” (Lc 1,57-63)

O versículo 62 deste texto bem conhecido apresenta, aparentemente, uma dificuldade de interpretação. Em Lc 1,20 lemos: Vais ficar mudo, sem poder falar, até ao dia em que tudo isto acontecer, por não teres acreditado nas minhas palavras, que se cumprirão na altura própria. A tradução deste versículo pode começar de outro modo: Vais ficar em silêncio e sem capacidade (força) para falar. Não é absolutamente linear que o verbo siwpáw signi…

FRUTOS DA TERRA E DO TRABALHO DO HOMEM

(Depois da minha homilia no passado domingo na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, muitos mostraram-se interessados acerca da simbologia do Pão e do Vinho. Aproveito para partilhar o texto ao qual me inspirei para a minha homilia. O texto é de Enzo Bianchi, prior da comunidade de Bose - Itália)
É significativo que a palavra “Pão” apareça ao início da Bíblia sob o signo do trabalho, da fadiga, do suor: “comerás o pão com o suor da tua testa” (Gen 3, 19). De facto o pão significa antes de tudo comida, aquilo que sustém o homem, aquilo que é absolutamente necessário e que o homem deve procurar com o duro trabalho da terra. Quando à palavra “vinho”, ela aparece pela primeira vez no episódio de Noé, o patriarca supérstite do dilúvio  o qual, plantou uma vinha para se consolar e das uvas fez o vinho e bebendo-o embriagou-se (Gen 9,20-21). Assim o vinho é consolação mas também é capaz de provocar comportamentos indignos de um homem.  Mas, eis que quando a história aparece inequivocamente c…

O carinho do Papa Francisco que irrita muitos padres

É uma coisa maravilhosa mas, por exemplo, também João Paulo II foi à cadeia encontrar o seu assassino Ali Agca. Mas desta vez, aposto, acontecerá que alguém da minha paróquia me perguntará porque razão, a partir do momento que o Papa foi até Calábria, porque eu não vou nem mesmo visitar a senhora Pina que habita numa casa popular, e passou todo o inverno sem aquecimento porque não se fez a reparação no sistema. Sempre em Calábria, na missa da tarde de ontem disse: “a ‘ndrangheta é isto: adoração do mal e desprezo do bem comum”, “os maviosos, não estão em comunhão com Deus, são excomungados” e a minha gente não fará comparação com João Paulo II em Agrigento, mas perguntará a mim porque nas minhas homilias sou assim tão politically corect Sempre ontem, de manhã aos padres como eu dizia que não devemos pôr “ao centro nós mesmos e assim em vez de sermos canais tornamo-nos ecrãs” e estou certo que basta me sentar no confessionário e escutar com superficialidade, alguém, seguramente, me r…